Morre Deborah Brennand, descoberta por Ariano Suassuna

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debora brennadA poeta Deborah Brennand era um dos raros casos em que o autor tinha tudo a ver com os seus poemas, afirma Lucila Nogueira, professora do curso de letras da Universidade Federal de Pernambuco e especialista na obra de Deborah. “Ela não criou um personagem. É uma poesia de autoria feminina bastante destacada”, diz.

Seus poemas, segundo Nogueira, “passam a harmonia de um mundo utópico que a maioria dos poetas deseja”.

Foi o escritor paraibano Ariano Suassuna quem datilografou e publicou o primeiro livro de Deborah, “O Punhal Tingido ou o Livro das Horas de D. Rosa de Aragão”, em 1965. Na época, florescia no Recife o movimento Armorial, que buscava unir o erudito com a cultura popular nordestina.

Filha única de um senhor de engenho, nasceu em Nazaré da Mata, na Zona da Mata pernambucana. Na faculdade de direito, no Recife, conheceu Francisco. Ambos, porém, largaram o curso em nome da arte: ela, pela literatura; ele, pelas artes plásticas.

“Ela não tinha método para escrever. Escrevia muito e escrevia sempre”, conta a filha Maria da Conceição. Após o casamento com Francisco, no final da década de 1940, mudou-se para um casarão, antigo engenho de açúcar e afastado do centro do Recife. “Ela se dedicou muito a restaurar o lugar”, diz a filha.

Lá morou até o fim da vida, já separada de Francisco. Reclusa, saía muito pouco. Vivia para escrever e cuidar de seu jardim e da pequena criação de gado que mantinha.

Morreu no dia 26, aos 88 anos, de falência múltipla dos órgãos. Deixa duas filhas.

Da Folha de S. Paulo

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