Analista financeiro indica onde investir com a queda na taxa Selic

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O analista financeiro e professor de economia da Faculdade dos Guararapes, Roberto Ferreira, dá sugestão de investimento para o pequeno poupador
A última redução do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de um ponto percentual na taxa básica dos juros (Selic) fez com o que a aplicação financeira mais tradicional da população brasileira, a caderneta de poupança, deixasse de ser bastante atraente como investimento financeiro. Com a redução da taxa básica de juros para 8,25%, a caderneta de poupança passa a render menos.

A queda da taxa abaixo de 8,5% ao ano aciona uma regra que derruba o rendimento de 6,17% ao ano mais TR (Taxa Referencial) para 70% da taxa Selic vigente mais TR. A mudança começou a valer em 2012 para evitar que essa aplicação rendesse mais que outros investimentos de renda fixa, especialmente os títulos emitidos pelo próprio Tesouro para financiar o governo.

Diante desse cenário, os economistas indicam que o ideal é ampliar as opções de investimentos, com uma carteira de ativos mais variada. Para isso, de acordo com os especialistas, é necessário que o investidor se informe sobre as ofertas disponíveis no mercado para, conforme sua disponibilidade de capital, montar sua carteira.

“Observamos uma procura grande da população que investe por diversificação. Esses dois pontos, juros mais baixos e cenário de recuperação econômica, exigem que o investidor pense melhor para render mais”, lembra Roberto Ferreira, mestre em economia e professor da Faculdade dos Guararapes. Ele ressalta que ninguém vai ficar rico investindo em renda fixa, “mas é importante se resguardar para manter o valor de compra do dinheiro”.

Segundo ele, o pequeno investidor não deve ter medo de deixar de aplicar na caderneta de poupança. Outros investimentos de renda fixa, que já têm sua forma de remuneração definida no momento da aplicação, são igualmente seguros e podem render um pouco mais. Para garantir que a rentabilidade desses investimentos alternativos fique acima da poupança, é preciso conhecê-los um pouco mais a fundo e tomar alguns cuidados. Veja abaixo uma opção recomendada pelo analista financeiro:

Tesouro Direto

Uma das melhores opções para quem tem pouco dinheiro para investir e para fugir da baixa rentabilidade da caderneta de poupança é o Tesouro Direto. Para aplicar basta acessar a plataforma online do governo federal para compra e venda de títulos públicos. O investidor empresta seu dinheiro ao governo, que o remunera por isso. É possível investir a partir de R$ 30,00.

Na plataforma de negociação online, há uma relação com várias opções de títulos públicos, cada um com a sua forma de remuneração. O Tesouro Selic é um deles, e é o mais indicado para quem deseja ter a possibilidade de resgatar o dinheiro aplicado a qualquer momento, em uma emergência.

O Tesouro Selic também é a aplicação de renda fixa mais rentável do mercado para investimentos baixos, com liquidez diária, ou seja, com a possibilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento. Isso porque ele paga sempre 100% da variação da taxa Selic, não importa quanto o investidor aplique.

Diferente de outros títulos públicos, o Tesouro Selic também não apresenta risco de prejuízo se o investidor vender o produto antes do prazo de vencimento, já que ele paga a variação da taxa Selic, sempre positiva.

Um cuidado e cautela que todos aplicadores em Tesouro Direto devem ter é quanto à escolha do órgão aplicador: se através de uma instituição bancária ou através de uma corretora de valores mobiliários. E isto porque são cobrados 4(quatro) encargos para quem aplica em tal produto financeiro:

a) Taxa de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF):

IRPF – sobre os rendimentos dos títulos
22,5% (vinte e dois e meio por cento), em aplicações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;
20% (vinte por cento), em aplicações com prazo de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias;
17,5% (dezessete e meio por cento), em aplicações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias;
15% (quinze por cento), em aplicações com prazo acima de 720 (setecentos e vinte) dias.

b) Taxa de custódia cobrada pela CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia);
c) Taxa de administração na hora da compra ou na entrada; e
d) Taxa de administração no momento do resgate ou saída.

O comprador deverá fazer uma pesquisa entre essas instituições para tomar conhecimento das duas últimas (c) e (d), uma vez que as duas primeiras (a) e (b) são idênticas em todas elas.

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