Deputados que apoiam reformas podem não voltar à Câmara

150
0
COMPARTILHAR

Manifestantes levam cartazes com os rostos dos deputados que votaram a favor da reforma trabalhista, em fotos com o nome ‘traidor’. (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)
Desde a rejeição da Emenda Dante de Oliveira (PMDB-MT) no dia 25 de abril de 1984, propondo o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em plena ditadura, a Câmara dos Deputados não assistia, como ocorreu esta semana com a reforma trabalhista e deve se repetir agora em maio com a reforma da Previdência, uma votação tão monitorada pelos eleitores. Com a lista de presença dos parlamentares à mão, eles acompanham um a um os votos dos seus representantes.

O deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que esteve presente nas duas votações e saiu da primeira praticamente eleito prefeito do Recife nas eleições que se realizariam no ano seguinte, com o slogan “Prefeito Já, Prefeito Jarbas”, sabe do destino dos seus colegas que resolveram nadar contra o grande tsunami que se formou nas ruas pela aprovação da emenda: dos 64 deputados que votaram contra as diretas, apenas dez (15,6%) conseguiram se reeleger. Outros 110 deputados se ausentaram do plenário para não dar quorum de dois terços para a votação. Desses, somente 35,5% conseguiram retornar ã Câmara dos Deputados.

Esse mesmo tsunami volta agora, como fantasma da repetição do que aconteceu no pós-diretas assustando os deputados que abraçaram as reformas de Temer, seja na votação da reforma trabalhista que já ocorreu ou na da Previdência Social que está batendo à porta. Nas manifestações contra as reformas realizadas na última sexta-feira, seus nomes com uma legenda de “traidor” desfilaram com fotos como se fossem porta-estandartes na comissão de frente das passeatas, registrados pela câmera de Marlon Costa, da Pernambuco Press, na foto publicada no Portal G1.

Só em Pernambuco, estão nesta situação, junto com Jarbas Vasconcelos, outros 15 deputados que votaram pela aprovação da reforma trabalhista e que pelo andar da carruagem devem repetir o voto quando forem chamados a se manifestar sobre o projeto da reforma da Previdência Social. São eles os deputados-ministros de Temer Mendonça Filho (Educação, DEM), Bruno Aguiar (Cidades, PSDB) e Fernando Filho (Minas e Energia, PSB), e o deputado Carlos Eduardo Cadoca, que já foi punido com a expulsão do PDT.

Engrossam a lista os deputados Adalberto Cavalcanti (PTB), André de Paula (PSD), Augusto Coutinho (Solidariedade), Betinho Gomes (PSB), Daniel Coelho (PSDB), Fernando Monteiro (PP), João Fernando Coutinho (PSB), Jorge Corte Real (PTB), Caio Maniçoba (PMDB), Marinaldo Rosendo (PSB) e Ricardo Teobaldo (PTN).

Votaram contra a reforma os deputados Danilo Cabral (PSB), Eduardo da Fonte (PP), Gonzaga Patriota (PSB), Luciana Santos (PCdoB), Pastor Eurico (PHS), Silvio Costa (PTdoB), Tadeu Alencar (PSB) e Wolney Queiroz (PDT). O deputado Zeca Cavalcanti (PTB), ficou em cima do muro, abstendo-se de votar.

A essa lista podem ser acrescentados os nomes do governador Paulo Câmara (PSB), que manteve posição dúbia sobre a reforma trabalhista e firmou posição favorável à reforma da Previdência, e o vice-governador Raul Henry (PMDB), que como representante e interlocutor de Temer no Estado trabalhou muito para consolidar os números em apoio às reformas.

Como aconteceu com os deputados que afundaram a emenda das eleições diretas há exatos 37 anos atrás, os que hoje estão ajudando a precarizar as relações de trabalho e tornando a aposentadoria do trabalhador brasileiro – que ja não tem nada de especial – um pesadelo, podem estar entrando numa lista de cabras marcados para morrer. Nas urnas de 2018, claro.

Geraldo Seabra Filho
Editor do Correio do Grande Recife
[email protected]

SEM COMENTÁRIOS