Desafio de Paulo será descolar-se de Eduardo Campos em 2018

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Afastamento: Se vencer a batalha da segurança, Paulo Câmara ainda precisará afastar-se dos envolvidos na Lava Jato para buscar a reeleição (Foto: PSB)
A depender do sucesso do plano de segurança pública anunciado no início da semana pelo governador Paulo Câmara (PSB), o chefe do Executivo estadual tem boas chances de reverter sua grande desvantagem na pesquisa de opinião do Instituto Uninassau divulgada na semana passada, empatar o jogo e chegar nas eleições do próximo ano em condições de igualdade junto aos outros candidatos que tentam desalojá-lo do Palácio do Campo das Princesas.

Calcanhar de Aquiles de sua administração, a segurança pública tem tirado o sono do governador. O crescimento da violência em Pernambuco, tanto no interior como no Grande Recife, tem batido recordes a cada mês nos números de homicídios, assaltos a ônibus, assaltos a agências bancárias e caixas eletrônicos, ou os assaltos de rua à luz do dia, e obrigaram Paulo Câmara a uma reação inusitada, com um aporte de quase R$ 300 milhões para a área de segurança até 2018.

Além da reversão da sensação de insegurança que permeia todas as regiões do Estado, o governador pode levar vantagem nas fileiras do seu partido diante de correligionários que também vinham investindo na possibilidade de tomar de Paulo Câmara – em função da sua situação na pesquisa – a indicação do PSB para concorrer na eleição de 2018, como são os casos do senador Fernando Bezerra Coelho e do prefeito do Recife, Geraldo Julio.

É que enquanto Paulo Câmara saiu ileso da delação do fim do mundo da empreiteira Norberto Odebrecht que veio à tona esta semana com a divulgação da lista do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, detalhando as delações dos executivos da construtora e de seus dois principais donos, Marcelo Odebrecht e seu pai Emílio, o senador Bezerra e o prefeito do Recife, pretendentes ao seu cargo, apareceram na lista de Fachin.

Mas mesmo que o reforço dos investimentos da segurança rendam bônus eleitorais e esses obstáculos – Bezerra e Geraldo Júlio – sejam afastados do seu caminho pela evolução das investigações da Lava Jato, Paulo Câmara terá um desafio maior a vencer para conseguir o número de votos necessários para manter sua cadeira de governador de todos os pernambucanos.

Ele terá de afastar-se do nome do ex-governador Eduardo Campos (PSB), padrinho político e apesar de morto (ou por causa disso) o maior cabo eleitoral de Paulo Câmara para a sua eleição para o Governo do Estado em 2014. Morto em agosto daquele ano em acidente aéreo em Santos (SP), o nome de Campos aparece cada vez associado às propinas pagas nas obras federais e estaduais executadas pela Odebrecht em Pernambuco, durante o seu mandato.

O Governo do Estado já sinalizou esse provável afastamento ao silenciar sobre a citação ao ex-governador Eduardo Campos (1965-2014) e a supostas irregularidades nas obras da Arena de Pernambuco e do Sistema Adutor de Pirapama em petições enviadas pelo ministro Edson Fachin à Justiça Federal de Pernambuco (JFPE). A Secretaria de Imprensa do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, disse que só se pronunciará quando houver uma notificação oficial da Justiça.

Ironia do destino, ou da história, o fato é que o nome de Eduardo Campos deverá ser cada vez menos pronunciado nos eventos do governador até o pleito do ano que vem. Rei morto, rei posto. À medida que a biografia de Campos tende a sucumbir no lamaçal em que praticamente todas as liderança políticas do País foram flagradas chafurdando com a divulgação da lista de Fachin, caberá a Paulo Câmara substituir sua liderança no imaginário popular.

Geraldo Seabra Filho
Editor do Correio do Grande Recife

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