Fernando Bezerra usa a tribuna do Senado para negar envolvimento na Lava Jato

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Bezerra confirmou contatos com Paulo Roberto Costa, o delator da Lava Jato, mas negou conhecer o doleiro Alberto Youssef  (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Bezerra confirmou contatos com Paulo Roberto Costa, o delator da Lava Jato, mas negou conhecer o doleiro Alberto Youssef (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) subiu à tribuna nesta segunda-feira (16) para “defender a sua honra e sua trajetória política de mais de 30 anos”. Ele refutou a inclusão de seu nome na lista de agentes públicos suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras desbaratado pela Operação Lava a Jato, negou conhecer Alberto Yousseff e afirmou serem inverídicas as afirmações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, de que teria contato com o doleiro.

— Não temo as investigações, tenho uma biografia que fala por mim e a certeza de que jamais ultrapassei os limites determinados pela legislação brasileira e pela ética — disse.

Uso da tribuna

Fernando Bezerra falou para um plenário vazio, no qual, além dele na tribuna, estavam o senador Paulo Paim (PT-RS), que presidia a sessão, e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que aguardava na bancada sua vez de falar. Ao encerrar seu pronunciamento, o senador do PSDB trocou de lugar com Paim, e assumiu a presidência dos trabalhos.

O uso da tribuna para negar seu envolvimento nos desvios de recursos da Petrobrás faz de Bezerra refém de sua própria verdade. Caso as investigações solicitadas pelo Procurador Geral da República e que serão feitas pela Polícia Federal sob autorização do Supremo Tribunal Federal encontrem provas contra o senador, ele sofrerá processo na Comissão de Ética do Sendo por falta e decoro parlamentar, o que poderá levar à cassação do seu mandato independentemente dos resultados da operação Lava Jato.

Recentemente, dois senadores foram cassados mais por terem feito uso da tribuna do Senado para desmentir fatos que mais tarde seriam confirmados, do que propriamente o crimes que praticaram. O ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO) perdeu seu mandato ao negar ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, posteriormente confirmadas. Antes dele, também perderam seus mandatos os ex-senadores Joaquim Roriz e Luiz Estevam, ambos do PMDB do Distrito Federal, conenados por faltarem com a verdade junto aos seus pares.

Contradições

Para Bezerra, as contradições nos depoimentos dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef são evidentes, e isso ficará demonstrado no curso das investigações. Conforme opinou, qualquer cidadão que leia e coteje os depoimentos verá o quanto os fatos narrados, pessoas, empresas e datas são contraditórios entre si no que dizem respeito a ele próprio.

— São duas histórias diferentes. Nada há de concreto que pudesse ensejar um pedido de abertura de inquérito – opinou.

O senador também aproveitou para defender a memória do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, também integrante da “lista do Janot”, e mais uma “vítima de ataques sem nenhum fundamento”, conforme avaliou. Campos morreu em um acidente aéreo em 2014, quando concorria à Presidência da República.

— Atacar Eduardo, agora que ele já se foi, é tentar macular a imagem de um grande líder que o Brasil perdeu de maneira tão precoce. Eduardo merece respeito pelo que foi e pelo que fez — afirmou

“Desconectada de sentido”

Bezerra afirmou só ter mantido contatos institucionais com Paulo Roberto Costa, em diversas reuniões e agendas, ele como secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do Porto de Suape em Pernambuco, Costa como executivo da petroleira. Em 2010, afirmou não ter participado da coordenação da campanha à reeleição de Eduardo Campos e, portanto, não tratou de doações para aquela campanha com quem quer que fosse.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou no dia 4 de março uma lista com parlamentares e agentes públicos ao Supremo Tribunal Federal (STF), recomendando a abertura de inquéritos para investigar supostas práticas de corrupção na estatal petroleira. De acordo com o senador, posteriormente seu nome passou a integrar a lista, numa “atualização tardia e desconectada de sentido” e sem qualquer fato novo para tal.

— Afinal, ainda faltam outros nomes? Alguém que deveria estar entre os investigados ficou de fora? Houve falha nos procedimentos iniciais? Ou foram pressões externas à estrita investigação dos resultados? São perguntas que a sociedade começa a fazer neste momento — opinou.

Histórico de vida

O parlamentar traçou um histórico de sua vida política. Nascido em Petrolina (PE), ajudou, ao lado de outros políticos e trabalhadores, no desenvolvimento da região, uma das mais expoentes produtoras de fruticultura irrigada do país. O primeiro cargo público veio em 1992, quando conquistou um mandato de deputado estadual. Depois, tornou-se deputado federal constituinte, deputado federal, prefeito de Petrolina por vários mandatos e secretário estadual de três governadores pernambucanos distintos, antes de ser eleito para o Senado, em 2014, com a segunda maior votação do país, tendo recebido 64% dos votos.

— Em todo esse percurso, passando por tantas experiências distintas, jamais enfrentei qualquer tipo de condenação, fosse qual fosse a corte julgadora — frisou.

O senador aproveitou para agradecer pelo apoio de seus conterrâneos e dizer que as acusações não o abaterão e ele continuará firme.

— Como sempre fiz na vida, irei enfrentar de cabeça erguida e consciência tranquila os que me caluniam — ponderou.

Agência Senado

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