Recife é apenas a 15ª capital em bem-estar urbano no País

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Recife amarga a 15ª colocação no ranking de bem-estar das capitais brasileiras
Recife amarga a 15ª colocação no ranking de bem-estar das capitais brasileiras
Levantamento inédito do Observatório das Metrópoles, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela que o Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu) da cidade do Recife é pior do que de outras 14, das 27 capitais brasileiras. A capital pernambucana perde feio para Vitória (ES), que lidera o ranking, e até mesmo para Aracaju (SE) e Fortaleza (CE), no Nordeste. Nas demais capitais da região, Recife aparece à frente.

Divulgada nesta terça-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, a pesquisa mostra também a delicada situação da capital paulista, pior do que o indicador de capitais como Goiânia (GO), Aracaju (SE) e Palmas (TO). A pesquisa mediu o bem-estar nos 5.565 municípios do país.

Entre as 27 capitais, a cidade paulista ocupa a 12ª posição, com índice de 0,8119 –ela está no 1.897º lugar entre todas as cidades do país. Vitória (ES) lidera, com 0,9. Quanto mais próximo de 1,0, melhor é a condição de bem-estar urbano.

No ranking geral, considerando todos os municípios do Brasil, as cinco primeiras colocadas estão no Estado de São Paulo. Buritizal é a campeã nacional (0,951). Na 5.565.ª posição, o pior índice é de Presidente Sarney (MA), com 0,444.

Ranking das 27 capitais brasileiras

Vitória (ES) – 0,9000
Goiânia (GO) – 0,8742
Curitiba (PR) – 0,8740
Belo Horizonte (MG) – 0,8619
Porto Alegre (RS) – 0,8499
Campo Grande (MS) – 0,8275
Aracaju (SE) – 0,8214
Rio de Janeiro (RJ) – 0,8194
Florianópolis (SC) – 0,8161
Brasília (DF) – 0,8131
Palmas (TO) – 0,8129
São Paulo (SP) – 0,8119
João Pessoa (PB) – 0,7992
Fortaleza (CE) – 0,7819
Recife (PE) – 0,7758
Salvador (BA) – 0,7719
Cuiabá (MT) – 0,7704
Natal (RN) – 0,7383
Boa Vista (RR) – 0,7249
Teresina (PI) – 0,7218
Maceió (AL) – 0,7036
São Luís (MA) – 0,7003
Rio Branco (AC) – 0,6972
Manaus (AM) – 0,6903
Belém (PA) – 0,6593
Porto Velho (RO) – 0,6542
Macapá (AP) – 0,6413

O estudo Ibeu Municipal avaliou cinco indicadores de qualidade: mobilidade urbana, como o tempo de deslocamento de casa para o trabalho; condições ambientais (arborização, esgoto a céu aberto, lixo acumulado); condições habitacionais (número de pessoas por domicílio e de dormitórios); serviços coletivos urbanos (atendimento adequado de água, esgoto, energia e coleta de lixo); e infraestrutura.

Entre as 27 capitais, Vitória (ES) lidera o ranking de bem-estar
Entre as 27 capitais, Vitória (ES) lidera o ranking de bem-estar
A dimensão que apresenta a pior situação de bem-estar, nacionalmente, é a infraestrutura das cidades: 91,5% dos municípios estão em níveis ruins e muito ruins. Para avaliar a infraestrutura, o Observatório considerou sete indicadores: iluminação pública, pavimentação, calçada, meio-fio/guia, bueiro ou boca de lobo, rampa para cadeirantes e logradouros. Somente um município apresenta condição muito boa de infraestrutura: Balneário Camboriú (SC).

Para Marcelo Ribeiro, professor da UFRJ e pesquisador do Observatório, o Ibeu revela uma desigualdade regional. “Os municípios que apresentaram as melhores condições estão nas regiões Sudeste e Sul, um pouco no Centro-Oeste. Os piores índices, em geral, estão no Norte e Nordeste, e também no Centro-Oeste, uma zona de transição”, disse.

Arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Lúcio Gomes Machado destaca que Palmas e Brasília, com melhores Índices do que a capital paulista, são cidades planejadas.

“Uma cidade razoavelmente planejada, ainda que seja mal gerida, carrega durante bom tempo esse planejamento como trunfo positivo.”

Segundo Machado, a falta de integração com os municípios da região metropolitana e o crescimento desordenado de São Paulo ajudam a explicar a 12ª posição entre as capitais.

Em nota, o governo do Estado disse que “trabalha continuamente para garantir as condições necessárias ao crescimento dos municípios paulistas”. Procurada, a Prefeitura de São Paulo não comentou.

Campeã

Há um ano, a administradora Janete Rodrigues, 40, trocou uma vida agitada em Belo Horizonte, metrópole de 2,5 milhões de habitantes, pelos dias pacatos em Buritizal, de 4.077 moradores, no norte do Estado de São Paulo.

Ela gostou tanto do lugar que decidiu fincar raízes: arrendou uma pousada e levou o filho de 16 anos para a cidade paulista.

“Estava num nível de estresse muito alto. Vim a passeio, ver minha mãe, e decidi ficar. Aqui é tudo organizado, parece que cada coisa está em seu lugar. Já dispensei os remédios para o estresse”, disse Janete.

A cidade é planejada. Todas as ruas têm rampas para cadeirantes e não há terrenos vazios na área urbana de Buritizal. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

estadao

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