Recife tem mais da metade dos 760 mil desempregados de PE

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Pernambuco tem 767 mil desempregados, mais da metade no Recife, disse Rinaldo Júnior com base na PNAD (Foto: Aguinaldo Leonel)
Durante audiência pública realizada nesta quinta-feira na Câmara Municipal, o vereador Rinaldo Júnior (PRB) apresentou o que ele mesmo chamou de “números alarmantes”: Pernambuco tem hoje 767 mil desempregados, mais da metade no Recife. Somente nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ocorreram 17.907 desligamentos na cidade, enquanto que o total da Região Metropolitana (que inclui os dados da capital) foi de 25.949 e de todo o Estado, 32.635 pessoas. Ou seja, Recife sozinho tem mais da metade (54%) dos desempregados do Estado, ou mais de um quarto da população da cidade de 1.625.583 habitantes.

Com o plenarinho da Câmara Municipal repleto de militantes sindicalistas o vereador Rinaldo Júnior (PRB) realizou audiência pública nesta quinta-feira, 31, para debater o tema “O desemprego na cidade do Recife”. Ele justificou que “os números do desemprego no Recife são alarmantes” e enfatizou que “é neste momento de crise que o desemprego mostra sua face mais cruel. Os empregos são os primeiros a serem cortados e, no processo de melhora econômica, este setor será o último a ser retomado, pois os empresários ficam esperando os cenários se concretizarem para poderem contratar”.

Para sublinhar o quanto a situação é dramática, o vereador iniciou a audiência pública apresentando os dados não só do Caged, mas também do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Atlas da Vulnerabilidade Social/Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, (PNAD/IBGE), apresentada por Rinaldo Júnior, diz que Pernambuco tem 767 mil desempregados, contribuindo com uma taxa de 18.8% nessa realidade do País. É a mais alta de todos os estados e ela é maior, ainda, que a do Nordeste (15,8%). Esses índices impactam nas questões que levam à exclusão social.

“No Atlas da Vulnerabilidade Social, entre dez regiões metropolitanas brasileiras analisadas, a do Recife (quase 4 milhões de habitantes) foi a que teve o prior resultado. Apresentou um crescimento de 16,3% na condições de vulnerabilidade, entre 2011 e 2015. Os componentes infraestrutura urbana e renda e trabalho foram os maiores responsáveis pelo mau desempenho do Grande Recife”, disse.

Na justificativa da audiência, o vereador mostrou que no Recife há um quadro extremamente negativo no saldo entre empregados e demitidos. A cidade apresenta entre janeiro a junho deste ano, um saldo negativo de -6.612 com trabalhadores que tiveram perdas de seus empregos com carteira assinada. Nos últimos seis meses somente em um mês teve um saldo positivo, que foi o de março com mais 54 empregados admitidos. Nos meses seguintes abril, maio e junho o índice voltou a cair. Para debater o tema a mesa da audiência pública foi composta pelo presidente da Comissão Municipal de Emprego e Renda, Ismael Maia; a supervisora do Departamento de Estudos Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Jaqueline Natal; o representante da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Pernambuco (SRT –PE), Edson Cantarelli Guerra e as diretoras da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife, Maira Fischer e Cristiana Guedes.

Edson Cantarelli Guerra disse que a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Pernambuco registrou, nos últimos quatro anos, um acumulado de 75 mil desempregos no Recife, com um impacto de R$ 60 milhões a menos na economia. “Quanto mais desemprego, maior é a crise. Por isso, é preciso interromper esse ciclo negativo”, alertou. O Ministério do Trabalho atua em três frentes, segundo ele, para combater o desemprego. Uma das frentes é a manutenção dos postos de emprego que permaneceram; o segundo, é incentivo à retomada do emprego (com programas da economia solidária, busca de vagas; qualificação e disponibilização do microcrédito); e, finalmente, a terceira frente é a Qualificação de Emprego (cursos).

A técnica do Dieese, Jaqueline Natal, observou que o Recife tem 1.625.583 habitantes e que o desafio que se impõe à cidade “é no sentido de pensar ações estruturais além de estratégias para conter o desemprego”. Entre os diversos dados que comprovam que o desemprego aumentou, respingando de forma decisiva na mão de obra feminina, que perdeu mais postos que os homens, Jaqueline Natal comprovou que em 2002 havia 438 mil pessoas com empregos formais e carteiras assinadas no Recife. Em 2014, esse número aumentou em decorrência de um momento de estabilização da economia e reflexo dos empregos de Suape, chegando a 757 mil postos. Atualmente, são 672 mil empregados. “A redução foi de 84.225 postos, ou seja, uma queda de 11,1% de 2014 a 2017”, disse. Na contramão dos índices de desemprego, a cidade “é o maior centro gerador de crescimento do Estado”, segundo Natal, para quem o Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 a 2014 registrou um aumento de 51% em sua expansão nominal. Passou de R$ 33 bilhões para R$ 55 bilhões, o que mostra a grande concentração de renda nas mãos de poucos habitantes.

A diretora da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife, Maira Fischer, disse que a questão do desemprego é uma preocupação permanente da pasta e fez um histórico da economia do Recife, desde a época da fundação da cidade. Segundo ela, o PIB, hoje, é de R$ 50,7 bilhões e o município hoje tem 678.579 empregados formais. “O PIB de Pernambuco sempre foi menor do que o do País, mas em 2009 começou a mudar. Houve um aquecimento na economia em 2011, que se prolongou até o início de 2015, quando começou a crise financeira do País. Em consequência dela, houve dois anos seguidos de recessão e PIB negativo (a menos de 3%), impactando nos setores de comércio e serviços, que são as duas áreas mais importantes e que mais empregam no Recife”, disse. De acordo com Maria Fischer a estimativa é de que mais ou menos R$ 9 bilhões deixaram de circular na economia da cidade por causa da crise, com reflexos no consumo. “Recife sofreu com isso”, disse. Nos dois anos da crise, o Recife perdeu 76 mil vagas.

A outra representante da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Cristiana Guedes, ressaltou que a Prefeitura do Recife faz um acompanhamento mensal da redução das vagas de emprego, com análise mensal do mercado de trabalho, e o que vem se observando nos três últimos meses é uma estabilização. Segundo ela, as ações de Secretaria são subsidiadas com base nos dados analisados. Entre as ações, disse ela, a PCR vem estabelecendo “um diálogo periódico com representantes dos setores e entidades sindicais; desburocratizando a abertura de novas empresas que possam gerar postos de emprego; e fazendo atendimento à população”. Os atendimentos, disse Cristiana, são feitos em salas de empreendedor e nas agências de emprego. Mais de 100 pessoas já foram atendidas este ano. A Prefeitura vem qualificando a mão de obra em 17 escolas profissionalizantes, onde 8 mil pessoas já estudaram; e vai abrir cursos profissionalizantes nas sedes do Compaz. Outra ação que está em pauta é a abertura de crédito para pequenos empreendedores que estejam negativados.

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