Câmara do Recife homenageia médico de Jaboatão

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“Para mim é muito, mas muito mais honroso receber esta homenagem deste órgão público, do que de qualquer órgão fiscalizador de classe ou mesmo alguma sociedade médica”, disse o médico Glaucius Nascimento ao agradecer a homenagem.
Numa reunião solene presidida pelo vereador Eduardo Marques (PSB) e marcada por manifestações de emoção, o vereador Benjamim da Saúde (PEN) homenageou o médico Glaucius Nascimento, na manhã desta quarta-feira, 28, pelos relevantes serviços prestados à população em 16 anos de carreira. Num de seus plantões no Hospital Memorial, em Jaboatão, o obstetra reanimou uma parturiente que parou de respirar, enquanto dava à luz uma bebê. O caso, raríssimo, foi parar no programa Fantástico, da TV Globo. “A equipe do Doutor Glaucius Nascimento foi responsável pelo parto de alto risco, no dia 6 de janeiro. A paciente Michelle Santiago, de 27 anos, foi vítima de uma embolia por líquido amniótico e ficou 10 minutos sem dar sinal de vida. O trabalho em equipe, liderada pelo médico, salvou a vida de Michelle e de sua filha”, relatou o vereador.

Um vídeo foi exibido no telão do plenário da Câmara Municipal do Recife, mostrando como o caso aconteceu. Foi uma prova da capacidade técnica da equipe médica, da tomada de decisão no tempo certo, e do compromisso profissional. A história de Michelle e da filha Maísa, de acordo com vereador, “comprova que uma equipe unida alcança resultados muito mais efetivos do que um grupo de indivíduos trabalhando sozinhos. Trabalhar em equipe significa compartilhar conhecimento”. Benjamim da Saúde ressaltou que doutor Glaucius, obstetra de formação, soube compartilhar suas experiências com os colegas. “E, desta forma, teve sabedoria para conduzir com excelência o parto de Michelle e trouxe mãe e filha à vida em família”, destacou.

Ao agradecer a homenagem o médico lembrou que o caso da paciente Michelle, protagonizado por ele e equipe, teve repercussão nacional e internacional, “mas nada vai me tirar o sentimento de plenitude, junto com todos os profissionais envolvidos de poder olhar para Maísa, Michelle e ficar feliz por estarem vivas e saudáveis. Não busco reconhecimento, graças a Deus eu já o tive. E sei que tudo isto é menor do que o fato em si”. Segundo ele, trata-se de uma história de amor, de saúde e de fé. “Era um plantão de obstetrícia considerado normal, no dia seis de janeiro de 2017. O atendimento ético inicial realizado a Michelle pela equipe de enfermagem já havia norteado a conduta. Era uma gestante fora de trabalho de parto, com 9 meses, níveis pressóricos elevados e proteinúria positiva 4 cruzes”. Ou seja Gestação de alto risco.

Era necessário fazer a transferência para uma maternidade de alto risco. “Enquanto ligava para a Central de Regulação de Transferências Michelle, que inicialmente estava conversando normalmente comigo, vomitou e ficou tonta, com uma voz emboloada. Eu desliguei o telefone e indiquei a cesariana de emergência”. Subitamente, Michelle apresentou quadro de parada cardiorrespiratória. Comecei as massagens cardíacas iniciais. “Rapidamente, a equipe de enfermagem providenciou a ajuda de vários colegas médicos e de enfermagem, que assumiram a reanimação cardiorrespiratória”, disse.

Com a habilidade de um exímio anestesista e plantonista da maior emergência do estado de Pernambuco, doutor Edson, de acordo com Glaucius Nascimento, conseguiu a intubação enquanto a doutora Fernanda Carvalho, o doutor Antônio Guerra comandavam em conjunto com a equipe de enfermagem a reanimação cardíaca materna. “Restava a mim, a realização do procedimento que havia me preparado durante toda a minha carreira: a cesariana perimortem”. Poucos profissionais de saúde no Brasil e no mundo têm a experiência de participar de um caso como este e principalmente com um desfecho tão positivo.

“Eu operei Michelle com outro exímio obstetra, o Dr. José Farias e ainda com o instrumentador, o técnico de enfermagem e meu amigo, Gílson Carnaúba na própria sala de preparto”, disse. Ele retirou Maísa numa cesariana ultrarrápida, e o doutor Adriano Mendonça, neonatologista, realizava ventilação por pressão positiva em Maísa, que respondeu imediatamente com um choro forte. Logo após o choro de Maísa e o fechamento da cavidade uterina, foi realizada cardioversão, o conhecido choque, e, milagrosamente, Michelle voltou ao ritmo cardíaco normal”.

Glaucius Nascimento é filho de um bancário com uma professora, típico casal de classe média do Recife. Estudei no Colégio Imaculado Coração de Maria, depois no São Bento de Olinda. Cursou Medicina na Universidade Federal de Pernambuco e decidiu enveredar pela obstetrícia por ter sido acadêmico concursado da Maternidade Bandeira Filho. Foi acadêmico voluntário do Doutor José Carlos de Lima e do Dr. Erick Moreno. Também foi acadêmico concursado de Neonatologia e Monitor de Obstetrícia e Neonatologia no HC-UFPE e no Hospital Barão de Lucena.

Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no HC-UFPE, entrou no Exército Brasileiro. Entre outras títulos, fez outra residência, em 2004, de Medicina Fetal no Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP). Em 2005 tirou o título de especialista em Ginecologia Obstetrícia e Certificado de Atuação em Medicina Fetal.

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