Lista de Fachin fecha o tempo para candidatos do PSDB

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Serra, Aécio e Alckmin: candidaturas golpeadas por Fachin (Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena/Folhapress)
A destacada presença das principais lideranças do PSDB na lista do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (SF), ministro Edson Fachin, certamente vai criar dificuldades para os candidatos do partido nas eleições do próximo ano, a nível nacional e aqui em Pernambuco.

Desde que pipocou o escândalo do “Mensalão do PT”, ainda no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as lideranças tucanas posavam como madres superioras e só se apresentavam em público qual noviças rebeldes para pedir punição para os mensaleiros petistas.

A lista de Fachin transformou em terra arrasada o ninho tucano. Não ficou de fora nenhuma de suas lideranças nacionais e de quebra arrastou no lamaçal a principal liderança do PSDB em Pernambuco, o deputado-ministro Bruno Araújo, que se apoia no Ministério das Cidades para construir sua candidatura à sucessão do governador Paulo Câmara (PSB).

Bruno Araújo, nos braços dos algozes de Dilma, na votação do impeachment: o tchau agora pode ser para ele

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, vinha travando uma briga de foice no escuro com o seu principal adversário no partido à indicação da candidatura tucana às eleições presidenciais de 2018, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, quando foi atingido pela divulgação do seu nome na lista de Fachin liderando o número de processos atribuídos aos políticos pelo relator da Lava Jato no STF: cinco, com milhões de reais em propinas pagas pela Odebrecht.

O governador de São Paulo também não ficou para trás. De codinome “Santo” nas listas da Odebrecht, Geraldo Alckmin aparece como beneficiário de um esquema que teria lhe rendido em propinas pouco mais de R$ 10 milhões, chegados à sua conta bancária por intermédio de um irmão de sua mulher, Lú Alckmin, que funcionou como o seu laranja na arrecadação da bufunfa.

Mas no ninho tucano a lista de Fachin não se restringiu aos dois principais contendores do partido à candidatura presidencial. Outros tucanos de alta plumagem, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro das Relações Exteriores e senador José Serra, assim como o seu sucessor no Itamaraty, o também senador paulista Aloisio Nunes Ferreira, não passaram despercebidos pelo relator da Lava Jato no Supremo.

Fora Aécio Neves, as demais lideranças nacionais do PSDB são todas paulistas. Tentam de todas as formas evitar a candidatura do mineiro que cheira (a) leite (sic) para impor um nome da terra dos barões do café, mas sem a composição da República Velha, que não cabe mais nos tempos da Nova República inaugurada por Tancredo Neves, avô de Aécio, lá pelos idos de 1985.

Para evitar o mineirinho, os tucanos passaram a admitir até mesmo trazer Fernando Henrique de volta à ribalta, que neste caso atropelaria também Geraldo Alckmin matando dois tucanos com uma só pedra do bodoque. Mas a citação do eterno presidente de honra e líder maior do partido por Fachin pode também ter jogado suas pretensões por água abaixo.

Sobram, então, o alquebrado José Serra, já por duas vezes derrotado em suas tentativas de chegar à Presidência da República, e Aloisio Nunes Ferreira, que além de sua citação na Lava Jato carrega nas costas o peso do governo Temer que liderou antes de assumir a chancelaria brasileira.

Duas vezes candidato ao Palácio do Planalto, em 2002 e em 2010, além de não gozar de boa saúde que o obrigou a deixar o Itamaraty, Serra terá dificuldades para se livrar da acusação de ter recebido cerca de R$ 23 milhões de propina da Odebrecht, via caixa dois, segundo a própria empreiteira. Restaria a ele e a Aloisio voltar os olhos para a sucessão de Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes, mas ainda assim os dois senadores teriam de vencer a predileção do governador por seu vice, Márcio França (PSB), ou pelo novo prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, a nova menina dos olhos do governador.

Finalmente, voltando a Pernambuco, a confirmação do seu nome ma relação dos políticos a serem investigados por envolvimento na roubalheira da Petrobras representou a pá de cal na pretensa candidatura de Bruno Araújo ao Governo do Estado, no próximo ano. Dependendo do andar da carruagem, aí incluindo até a sobrevida do governo Temer do julgamento no TSE, o ministro das Cidades pode ter dificuldade até mesmo para renovar seu mandato de deputado federal.

Geraldo Seabra Filho
Editor do Correio do Grande Recife

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