Ode SEM brecht!

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Gilberto Marques

O Pecado Mora ao Lado! Nascemos no mesmo ano. Eu em uma maternidade do Recife, Marilyn Monroe em Hollywood. É isso mesmo. Em 1955, Norma Jeane Mortenson transformou-se na dama fatal. Aí nasce Marilyn no vestido esvoaçante. Saiu da periferia de Los Angeles, após o abandono má e paterno, para a Casa Branca. Jackie Kennedy, a 1ª Dama, jamais perdoou o Happy Birthday to you, presidencial, em 1962, 7 anos depois. O número cabalístico e da mentira.

Não chego a ser cinéfilo, todavia, sou de frequência regular, nas pipoqueiras. Meu pecado mora nas cadeiras reclináveis das salas do telão. O filme do momento não é de Beverly Hills, mas o vento lambeu a propina e desnudou os intestinos das galerias. Daí a similitude com a lourinha inesquecível e o jato do respiradouro do metrô.

Emílio e Marcelo, pai e filho, sem espírito público e muito menos santo, meteram a boca no trombone. É o preço da delação. A invenção de dedurar vem de fora. Passa pelos EUA, mas, sem dúvida “nunca antes na história”, foi tão ampla, geral e irrestrita. “O partido que não rouba”, do Lulinha de Duda, afrouxou o cinto. A comilança também passa pelo cinema – Marco Ferreri e Marcelo Mastroinni se esbaldaram na gula até a morte.

Ficou claro que política e dinheiro mantém uma concupiscência irrefreável. Muito maior e mais intensa que a massa ignara e até a tropa de Elite intelectual poderia imaginar.

A família Odebrecht – até o nome é invocado, resistir, resistiu, desconversou, pabulou até que a A recalcitrância claudicou. Na diarreia verbal vira real. Queda de braço com algemas e tornozeleiras ficam na 1ª Instância. A coisa para no Paraná, em Curitiba da primeira a última sílaba. A vingança será maligna, pensou o filho. O patronímico chamou a diretoria e convocou a orquestra, com ares de cidadã. O pau cantou e a prosopopeia da deduragem se espraiou. O filme de Marcelino, pão, vinho e cachaça, inundou o noticiário. Tem emissora que só fala naquilo. Na classificação do IBOPE Odebrecht tem mais expansão que as bombas de Trump.

Ficou claro que o Senhor das empreitadas tem o sangue dos brasileiros, o suor dos desempregados, o pesadelo dos congressistas, o cadafalso da Presidência.

O menino ex-presidente sentenciou: não conheço político eleito sem caixa 2. A que ponto chegamos? Uma empresa privada suplanta o Ordenamento Jurídico, passa por cima da Lei, faz pouco do Estado falido e goza dos direitos inerentes a pessoa humana.

A desumanidade flagrante mora na mansão do cinismo, no Império dos Ímpios, nos alforjes dos Vendilhões do Templo, da saúde, das escolas, do saneamento básico. Pela mão dos Fariseus, do século XXI, o que era mel virou cabaça, santo virou pecado, a comilança política virou bosta.

As Instituições Públicas tem que emergir do caos, recompor a boa fé, ressurgir na esperança do porvir. O L’eta c’moi dos patrões tem cinquenta anos de idade. Governam em todas as especialidades na construção do opróbrio nacional. Que tal um NÃO varonil. Sem ódio, sem medo, avante Brasil.

Gilberto Marques é advogado criminalista
[email protected]

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