Microcefalia: Palmares ganha centro de reabilitação

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Agora, todas as 12 Geres contam com, no mínimo, 1 referência em reabilitação
A partir desta quarta-feira (02.08), as crianças com a síndrome congênita do zika (SCZ/microcefalia) ganham mais um centro de reabilitação com o início das atividades no Hospital Regional Sílvio Magalhães, em Palmares, que será referência para todo o público da Mata Sul (III Geres). Com essa ampliação, todas as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres) de Pernambuco contam, a partir de agora, com pelo menos um serviço de referência para reabilitação dessas crianças. No final de julho, a rede de atendimento já tinha sido ampliada para as 10 cidades que englobam a XII Geres, que estão sendo assistidas pelo Hospital Belarmino Correia, em Goiana, na Mata Norte. Ao todo, o Governo de Pernambuco já conta com 32 centros de referência em sua rede estadual para crianças com SCZ/microcefalia, sendo 25 com reabilitação.

“O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, tem feito um esforço contínuo para garantir a assistência às crianças com síndrome congênita do zika/microcefalia. No início da mudança do padrão da doença, tínhamos apenas duas unidades de referência. A partir de hoje, o número de unidades da rede estadual sobe para 32, com o início dos atendimentos de reabilitação no Hospital Regional de Palmares. No final do mês passado, já tínhamos iniciado os atendimentos também no Hospital Belarmino Correia, em Goiana. Essas ações evitam que essas famílias precisem se deslocar em grandes distâncias para receber o atendimento de qualidade, garantindo a assistência cada vez mais próxima, em uma demonstração clara da priorização da atenção com essas crianças pelo Governo Paulo Câmara”, ressaltou a secretária executiva de Atenção à Saúde da SES, Cristina Mota.

O Hospital Regional Sílvio Magalhães irá atender, inicialmente, nove crianças e terá capacidade para receber os casos confirmados da região, que totalizam pouco mais de 20. No local, serão ofertadas as especialidades de fonoaudiologia, terapia ocupacional, serviço social, nutricionista, além de fisioterapia respiratória e motora. O diretor do Regional de Palmares, Christiano Paiva, afirma que a unidade “procura estar sintonizada com as necessidades de saúde da região e atender essas crianças com síndrome congênita do zika vai diminuir as distâncias que essas famílias precisavam percorrer. Além disso, vamos ofertar o tratamento necessário para o desenvolvimento dessas crianças”.

A técnica de radiologia Érika Rocha, mãe de Stefany, de 1 ano e 4 meses, é uma das beneficiadas com a iniciativa. Anteriormente, sua filha recebia atendimento no Recife. Ela afirma que a inauguração do centro de reabilitação no Regional de Palmares foi “um avanço não só para a cidade, como para as mães e pacientes de toda a região. Isso vai facilitar e muito essa questão dos deslocamentos. Vai ser ótimo ficar aqui nesse centro de reabilitação, vai ser um ganho para minha filha”. Ela ainda destaca que já vem notando avanço na parte cognitiva de sua filha, como reconhecimento de voz, fisionomia, além de melhorias na parte motora. “Estou tranquila porque sei que é um trabalho lento, mas que tudo vai acontecer no seu tempo”, ressalta.

Os atendimentos de reabilitação têm sido feitos nas dez Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) espalhadas pelo Estado, além de hospitais regionais, grandes hospitais e serviços como a AACD, Fundação Altino Ventura (FAV) e Imip. “O Estado foi pioneiro na identificação dos casos, na vigilância epidemiológica e na construção dos protocolos de atendimento. Também conseguimos, em dois anos, organizar uma rede de atendimento espalhada por todo o Estado, trabalhando de forma sustentável, já que a rede está apta para fazer o acompanhamento desse público durante o seu desenvolvimento”, reforça Cristina Mota.

MEDICAMENTO – Para beneficiar o tratamento das crianças com síndrome congênita do zika/microcefalia, o Governo de Pernambuco está finalizando os trâmites para incorporar o anticonvulsivante Keppra no hall de medicamentos disponibilizados na Farmácia de Pernambuco. O Estado será o único a contar com esse tipo de terapia no Sistema Único de Saúde (SUS) para as crianças com microcefalia. Importante lembrar que a incorporação de novas drogas e os requisitos para acesso à cesta do SUS é definida pelo Ministério da Saúde. Mesmo assim, o Governo de Pernambuco fez todos os esforços para concretizar mais essa conquista para as crianças com SCZ/microcefalia.

Nos próximos dias, a norma técnica e o protocolo terapêutico e de dispensação do medicamento serão publicados no Diário Oficial do Estado, para que os profissionais de saúde saibam todo o fluxo para prescrição da droga, que será disponibilizada em todas as unidades da Farmácia de Pernambuco espalhadas pelo Estado.

“O Governo de Pernambuco, em uma atitude pioneira para garantir a assistência integral às crianças com microcefalia, não esperou a decisão da incorporação ou não do medicamento anticonvulsivante Keppra pelo Ministério da Saúde e já resolveu, após estudos e a estruturação de um protocolo, fornecer na rede pública do Estado”, finaliza a secretária-executiva, Cristina Mota.

DADOS – Desde o início das notificações, em 2015, a Secretaria Estadual de Saúde computou 2.357 casos notificados, sendo 420 confirmados.

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