O anúncio das vitórias de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro foi recebido como final de campeonato no Recife. Na noite da premiação, um bar temático de cinema localizado na Rua Mamede Simões, no Centro da cidade, reuniu cinéfilos, curiosos e admiradores do cinema pernambucano para acompanhar a cerimônia em um telão montado especialmente para a ocasião. O encontro também incluiu um concurso de sósias de Wagner Moura, protagonista do longa, que saiu vencedor na categoria de melhor ator em filme de drama.
Antes mesmo de os envelopes serem abertos, o clima era de expectativa elevada e orgulho local assumido. “Eu acho que leva todos os prêmios. É um filme sensacional que merece ganhar todas as categorias que está disputando”, afirmou o universitário Benjamin Martiniano, minutos antes do início da transmissão.
Dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto” foi filmado quase integralmente na capital pernambucana e se tornou a primeira produção brasileira indicada, na mesma edição do Globo de Ouro, a três categorias: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, Melhor Ator de Drama e Melhor Filme de Drama. O feito histórico foi ampliado com a conquista de duas estatuetas na noite de domingo.
Cinema pernambucano no centro da cena
A primeira vitória anunciada foi a de melhor filme em língua não-inglesa. O bar reagiu com gritos, abraços e aplausos que lembraram comemoração de Copa do Mundo. Pouco depois, a confirmação do prêmio de melhor ator para Wagner Moura intensificou a celebração coletiva.
“Para a gente é muito incrível ver o cinema pernambucano, ver o cinema recifense, nesse auge que está pelo mundo todo”, disse a fotógrafa Duda Coutinho. Ela também ressaltou a presença do Cinema São Luiz no longa. “É incrível também ver a comoção dos recifenses e de terem orgulho disso, porque a gente está sentindo muito orgulho”.
A única categoria em que o filme brasileiro não saiu vencedor foi a principal da noite, melhor filme de drama, cuja estatueta ficou com “Hamnet”. Ainda assim, o resultado foi tratado como consagração pelo público reunido no Centro.
Além da torcida diante do telão, a noite teve espaço para performances e bom humor. Diversos participantes caracterizados como Wagner Moura disputaram um concurso para eleger o sósia mais parecido com o ator. O prêmio foi uma camiseta retrô da Pitombeira dos Quatro Cantos, de 1978, peça usada pelo personagem interpretado por Moura no filme. O item ganhou ainda mais destaque após o sucesso do longa e passou a ter fila de espera, com pedidos vindos de várias regiões do país.
O vencedor foi o universitário Israel Cavalcante, ovacionado pelo público. Ele contou que a semelhança foi percebida de forma casual. “Cortei esse fim de semana. Estava com a barba grande para caramba, aí cortei. Meu amigo virou e disse: ‘Pô, está a cara do agente secreto’”.
Reconhecimento que ultrapassa a premiação
O clima de brincadeira se estendeu também ao diretor do filme. No mesmo bar, o professor Artur de Queiroz foi escolhido como melhor sósia de Kleber Mendonça Filho em 2024. “Hoje está bom só ser sósia, ele tem muita responsabilidade. Está viajando, deve estar cansado e super-realizado”, comentou.
Com as duas estatuetas do Globo de Ouro, “O Agente Secreto” chega a 56 prêmios acumulados na temporada internacional. A expectativa agora se volta para o Oscar, cuja lista de indicados será divulgada no dia 22 de janeiro.
Para a estudante Carolina Coutinho, o reconhecimento também passa pelo conteúdo do filme. “É um dos melhores filmes brasileiros, principalmente por essa relação com a ditadura e por retratar um personagem tão complexo como a interpretação do Wagner Moura faz”, avaliou.
Independentemente do resultado no Oscar, a produção já ocupa lugar de destaque na história recente do cinema nacional. “A gente está aqui celebrando muito. O cinema pernambucano, que é brasileiro, precisa ser reconhecido e isso é um reconhecimento que não tem tamanho”, afirmou a designer Natália Borges.
Fonte: G1
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