O Governo de Pernambuco ficará responsável também pela construção do trecho norte do Arco Metropolitano, projeto viário considerado estratégico para a mobilidade e o escoamento da produção na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata Norte. A informação foi confirmada pela governadora Raquel Lyra (PSD) nesta terça-feira (20), durante discurso na Assembleia Extraordinária da Associação Municipalista de Pernambuco. Segundo ela, o assunto foi tratado diretamente com o ministro das Cidades, Renan Filho.
O novo trecho vai ligar as BRs 408 e 232, permitindo que o Arco Metropolitano chegue até o município de Goiana, onde se concentra um importante polo industrial do estado. A iniciativa amplia o alcance do projeto original, que previa a construção apenas do segmento sul, já em execução desde o fim de 2025.
Em entrevista ao Blog Dantas Barreto, a governadora detalhou que o trecho norte está orçado em R$ 540 milhões e que a expectativa do governo estadual é iniciar as obras ainda neste ano. Os recursos, conforme informou, serão repassados pelo Ministério dos Transportes. Durante a conversa, Raquel Lyra ressaltou a dimensão do investimento e a importância da nova ligação rodoviária para Pernambuco. “Vamos criar uma nova BR-101”, afirmou.
A fala faz referência ao impacto esperado da obra sobre o tráfego de longa distância, especialmente o de cargas pesadas, que hoje atravessa áreas urbanas da Região Metropolitana. A proposta é que o Arco funcione como um grande anel viário, redistribuindo o fluxo e reduzindo gargalos históricos nas principais rodovias federais que cortam o estado.
Projeto antigo e articulação técnica
De acordo com a governadora, o projeto do trecho norte não é recente. Ela informou que os estudos e o traçado estão prontos há cerca de um ano, mas ainda dependiam de definições institucionais e de financiamento. Para destravar a execução, equipes do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) participam, nesta terça-feira, de reuniões técnicas no Recife.
Esses encontros têm como objetivo alinhar os detalhes finais do projeto executivo e definir responsabilidades entre os órgãos envolvidos. Além do Arco Metropolitano, também está na pauta a duplicação da BR-232 no trecho que liga os municípios de São Caetano e Belo Jardim, no Agreste, outra demanda antiga da região.
A duplicação da BR-232 é vista como complementar ao Arco, já que a rodovia é um dos principais corredores de ligação entre a Região Metropolitana do Recife e o interior do estado. A ampliação da capacidade deve melhorar a segurança viária e reduzir o tempo de deslocamento em um trecho marcado por alto volume de tráfego e acidentes frequentes.
Trecho sul já está em execução
Enquanto o segmento norte avança na fase de articulação, o trecho sul do Arco Metropolitano já saiu do papel. As obras começaram em dezembro de 2025 e ligam a BR-232, no município de Moreno, à BR-101, no Cabo de Santo Agostinho. Esse primeiro trecho é considerado fundamental para aliviar o trânsito pesado que hoje passa por áreas densamente povoadas da Região Metropolitana Sul.
O investimento no trecho sul é de R$ 632 milhões, financiado pelo programa PE na Estrada, iniciativa do governo estadual voltada à recuperação, duplicação e construção de rodovias em Pernambuco. A expectativa é que, uma vez concluído, o segmento permita uma ligação mais rápida entre o interior e o Porto de Suape, reduzindo custos logísticos para empresas instaladas no estado.
Com a confirmação de que o Governo de Pernambuco também executará o trecho norte, o Arco Metropolitano passa a ser tratado como uma obra integral, com potencial de transformar a dinâmica do transporte rodoviário no estado. A ligação direta entre polos industriais, áreas de produção agrícola e os principais corredores federais tende a gerar impactos econômicos de médio e longo prazo.
Além da melhoria no tráfego, o governo avalia que a obra pode estimular novos investimentos privados ao longo do traçado, especialmente em municípios da Zona da Mata Norte. A integração entre BRs federais e rodovias estaduais também é vista como um avanço na articulação entre políticas de infraestrutura e desenvolvimento regional.
A previsão de início das obras ainda neste ano, conforme destacou a governadora, coloca o trecho norte do Arco Metropolitano como uma das principais apostas da gestão estadual na área de infraestrutura em 2026. A concretização do projeto, no entanto, dependerá do cumprimento do cronograma técnico e da liberação efetiva dos recursos federais anunciados.
Fonte: Diário de Pernambuco
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