O O Agente Secreto, produção pernambucana indicada a quatro categorias do Oscar em 2026, transformou o domingo da premiação em uma grande celebração pública no Recife e em Olinda. A cerimônia, realizada em 15 de março, foi exibida em diversos pontos das duas cidades, com destaque para o histórico Cinema São Luiz, cenário de cenas importantes do longa.
O cinema, localizado na Rua da Aurora, no Centro do Recife, transmitiu ao vivo a cerimônia a partir das 19h. O público acompanhou a premiação dentro da sala de exibição, com entrada gratuita mediante lotação. Do lado de fora, um telão instalado na margem do Rio Capibaribe permitiu que mais pessoas assistissem à transmissão ao ar livre. A programação também incluiu tapete vermelho e apresentações culturais.
No Oscar de 2026, o filme disputou as categorias de Melhor Ator, Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Filme. O número de indicações igualou o recorde histórico de produções brasileiras, marca que já havia sido alcançada por Cidade de Deus, indicado em quatro categorias na edição de 2004.
A trajetória internacional do longa já havia sido impulsionada meses antes, quando venceu duas estatuetas no Globo de Ouro 2026, ampliando a visibilidade do cinema pernambucano no circuito mundial.
Cinema histórico virou personagem do filme
Inaugurado em 1952, o Cinema São Luiz é considerado um dos cinemas de rua mais emblemáticos do país e integra o patrimônio cultural de Pernambuco. Localizado no bairro da Boa Vista, o espaço preserva boa parte de sua arquitetura original e tornou-se, segundo o diretor Kléber Mendonça Filho, quase um personagem da narrativa.
Diversas cenas centrais de O Agente Secreto foram filmadas dentro do cinema. É ali que trabalha o projecionista Seu Alexandre, interpretado por Carlos Francisco, sogro de Marcelo, também chamado Armando na trama, personagem vivido por Wagner Moura.
Em entrevista concedida ao portal g1 em 2024, Kléber Mendonça Filho comentou o significado simbólico do espaço. Para ele, o São Luiz funciona como uma espécie de portal para o passado e para a história da cidade.
O acesso ao cinema começa por duas colunas que sustentam o Edifício Duarte Coelho e por uma porta de vidro com molduras douradas. Logo na entrada, os visitantes encontram um grande painel do artista pernambucano Lula Cardoso Ayres, além de um revestimento de mármore branco que cobre o piso, as colunas e as paredes do saguão.
Do lado de fora, o letreiro branco com letras vermelhas permanece como um dos elementos mais reconhecidos do local. Ao longo das décadas, ele anunciou filmes em cartaz e também registrou momentos marcantes. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, exibiu a mensagem “Cuidem-se. Em breve estaremos juntos”.
Arquitetura preservada e atmosfera clássica
O cinema possui apenas uma sala de exibição. O público acessa as poltronas por meio de um tapete vermelho que percorre o corredor central. A tela é cercada por vitrais coloridos em formato de jarros de flores, criados pela artista Aurora de Lima. Antes do início das sessões, esses vitrais são iluminados, criando um efeito visual característico do espaço.
Outros detalhes ajudam a compor a atmosfera clássica do prédio. As luminárias são feitas em bronze, as paredes têm revestimento em madeira de jatobá e o teto é coberto por grandes peças de tapeçaria.
Outras exibições reuniram público na região metropolitana
Além do Cinema São Luiz, outros espaços culturais e pontos de encontro da capital pernambucana também exibiram a cerimônia do Oscar.
Um deles foi a sede da Pitombeira dos Quatro Cantos, em Olinda. A agremiação ficou ainda mais conhecida após uma camisa do bloco aparecer no filme, usada pelo personagem de Wagner Moura.
A transmissão ocorreu a partir das 19h, na sede localizada na Rua 27 de Janeiro, no bairro do Carmo. O evento foi aberto ao público e incluiu apresentações do Samba da Pitomba e da Orquestra Paranampuká.
Outra alternativa foi o projeto Cine Apipucos, realizado no Parque de Apipucos. A programação começou às 16h30 com a exibição de produções do diretor Kléber Mendonça Filho, incluindo o longa Retratos Fantasmas e curtas-metragens do cineasta.
No início da noite, o evento também recebeu uma apresentação do grupo Guerreiros do Passo. A transmissão da cerimônia começou em seguida e seguiu até perto da meia-noite, com intervalos preenchidos pelo DJ Pepe Jordão.
Alguns bares da cidade também participaram da mobilização. O Super8, localizado na Rua Mamede Simões, no bairro da Boa Vista, organizou a exibição da premiação em um telão instalado na rua. O local promoveu ainda um concurso de sósias da Perna Cabeluda e de Dona Sebastiana, personagens presentes em O Agente Secreto. A programação incluiu apresentação da Orquestra Backstage.
Na Zona Norte do Recife, o bar Muamba, no bairro Santana, também exibiu a cerimônia em telão para o público a partir das 20h.
Com diferentes formatos de exibição espalhados pela cidade, a noite do Oscar acabou se transformando em um grande encontro coletivo em torno do cinema brasileiro e da expectativa pela participação histórica do longa pernambucano.
Fonte: G1
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/pessoas-com-pipoca-em-cinema_4768570.htm
