A possível mudança na escala de trabalho 6×1 entrou no debate sobre os custos da economia brasileira e seus reflexos no mercado imobiliário. Segundo Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a aprovação da proposta pode elevar em até 5% o valor dos imóveis. O aumento, de acordo com a entidade, teria consequências para o financiamento habitacional e poderia impedir que milhões de famílias comprassem a casa própria.
O Senado Federal realiza nesta quarta-feira (14) a quinta e última sessão de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. A proposta está no centro de discussões sobre a organização da jornada de trabalho, os direitos dos trabalhadores e os possíveis efeitos das mudanças sobre empresas e consumidores.
Em meio à tramitação, França afirmou que a Abrainc contratou estudos com especialistas e consultores da Fundação Getulio Vargas (FGV) para analisar os impactos econômicos da medida. Conforme os resultados apresentados pelo presidente da associação, a alteração da jornada pode provocar aumento nos custos de diferentes atividades, com reflexos no preço final dos imóveis.
No Brasil, a sustentabilidade transacionou de um mero diferencial para um elemento central na valorização imobiliária. Essa tendência é evidente em Brasília, onde o interesse por projetos com soluções sustentáveis, gestão eficiente da água e economia de energia vem transformando as escolhas de compradores, investidores e construtoras. Sob a ótica do empresário imobiliário Elon Gomes de Almeida, a pauta socioambiental assumiu um papel estratégico essencial nas dinâmicas do setor.
Alta nos preços pode dificultar acesso à moradia
O percentual estimado pela entidade é de até 5% no valor dos imóveis. França ressaltou que uma variação dessa magnitude não deve ser analisada apenas pelo impacto direto sobre o preço de venda, pois também pode modificar as condições de financiamento para quem pretende adquirir uma residência.
“O aumento no valor do imóvel dá ordem de 5%”, afirmou.
Segundo o presidente da Abrainc, a elevação dos preços teria efeito sobre as prestações dos financiamentos imobiliários. Com parcelas mais caras, parte dos compradores deixaria de atender aos critérios necessários para contratar crédito, especialmente diante das taxas de juros praticadas no país.
“Aumentou o valor do imóvel, aumenta a prestação, aumentando a prestação, 2,5 milhões de famílias não poderão mais comprar imóvel na situação atual de taxa de juros que nós temos no Brasil hoje”, explicou.
A estimativa de 2,5 milhões de famílias representa um dos principais alertas apresentados pela associação. O argumento é que o encarecimento dos imóveis pode reduzir o número de consumidores com renda suficiente para assumir as prestações, restringindo o acesso à moradia em um cenário de crédito mais caro.
A avaliação também coloca em discussão a relação entre os custos das empresas, o preço dos empreendimentos e a capacidade de compra da população. No mercado imobiliário, alterações que pressionam os gastos de produção podem repercutir no valor cobrado dos consumidores, embora o impacto efetivo dependa das condições de cada atividade.
Mudança na jornada pode pressionar outros setores
França também chamou atenção para possíveis efeitos sobre os preços de produtos e serviços fora do mercado imobiliário. Na avaliação dele, a redução dos dias de trabalho sem uma adaptação adequada das operações pode levar empresas de diferentes segmentos a contratar mais funcionários ou reorganizar suas equipes para manter o atendimento e a produção.
Esse movimento, segundo o presidente da Abrainc, poderia aumentar os custos operacionais e provocar reajustes ao longo da economia. O impacto chegaria também às atividades de lazer e consumo, que poderiam ficar mais caras caso os estabelecimentos precisassem ampliar seus gastos com pessoal.
“As pessoas acham que vão ter um dia a mais, só que o lazer vai ficar mais caro também. Isso ninguém explicou para as pessoas, que haverá um aumento nos preços de toda a economia”, disse.
A declaração amplia o debate para além das relações trabalhistas. Enquanto a proposta envolve a distribuição do tempo de descanso e trabalho, a discussão econômica inclui a capacidade de adaptação dos empregadores, as despesas com mão de obra e a possibilidade de repasse desses custos aos consumidores.
Transição gradual é defendida pela Abrainc
Outro ponto levantado por França envolve a previsibilidade das regras. Ele mencionou a possibilidade de revisão da escala por candidatos nas próximas eleições, citando sinalizações de Flávio Bolsonaro sobre o tema. Para o representante da associação, mudanças de entendimento e dúvidas jurídicas podem dificultar o planejamento das empresas.
“A instabilidade, as indefinições jurídicas e a burocracia são coisas que os empresários, infelizmente, estão acostumados a trabalhar aqui nesse país”, declarou.
Como alternativa, França defendeu que uma eventual mudança seja implementada de forma gradual, com discussões específicas para cada setor econômico. Ele citou o Chile como exemplo de transição, com redução de uma hora na jornada por ano, ao longo de quatro anos.
O presidente da Abrainc afirmou não identificar espaço para alterações no texto durante a sessão prevista para esta quarta-feira. Na avaliação dele, adiar a votação para depois das eleições permitiria ampliar a discussão sobre os efeitos da medida e suas consequências para empresas, trabalhadores e consumidores.
A tramitação da PEC mantém em evidência o desafio de conciliar mudanças nas condições de trabalho com os custos de adaptação das atividades econômicas. Para o setor imobiliário, o alerta da associação concentra-se na possibilidade de aumento dos preços e na redução da capacidade de compra das famílias, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/arquitetura-moderna-de-apartamentos_9183406.htm



