Foodtechs combatem o desperdício de comida em todo o país

Com estas iniciativas, foodtechs já conseguiram conter o desperdício por meio de desconto que chegam a 70%

Com a pandemia, a maioria das pessoas entraram em esquema home office. Portanto, outros fatores cotidianos surgiram a partir daí. Entre os quais: a alimentação do almoço, por exemplo, horário que a maior parte das pessoas não estava em casa.

Pensando nisso, muitas startups enxergaram um novo mercado: o da alimentação saudável, baseada em zero desperdício de comida. Além disso, um planejamento com foco em descontos, justamente para reduzir o lixo nos aterros.

Foodtechs – objetivos

O objetivo das foodtechs é criar alimentos à base de plantas e de conectar pequenos produtores e cozinheiras. Além disso, o negócio envolve a logística de distribuição. E é nesta fase que entra o desperdício zero.

Este último quesito é um dos pilares da SuperOpa, foodtech que surgiu como um trabalho universitário em 2018 e atualmente está presente em 500 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Por meio de um aplicativo, distribuidoras se conectam ao cliente final. Sendo assim, eles conseguem vender a preços mais baixos alimentos próximos do vencimento e que não costumam ir para as prateleiras dos supermercados.

São toneladas e toneladas de comida que acabariam em lixões ou incineradoras. Sobre isso, Luís Borba, presidente-executivo da startup, explica:

“É uma ineficiência enorme da cadeia. Além de perder o que comprou da indústria, as distribuidoras ainda têm o custo de descarte do lixo.”

Verificação de qualidade

Todavia, Borba ressalta que para a operação funcionar o alimento passa por uma verificação de qualidade antes de ser disponibilizado pelo app. Após aprovação o produto recebe um selo de sustentabilidade. É o jeito de levar uma imagem positiva aos alimentos que são por vezes rejeitados por mercados e clientes. Mas que estão em ótimo estado para consumo.

Descontos

Por outro lado, Borba afirma que algumas empresas não permitem ofertas muito grandes. Ou seja, os alimentos ficam empacados. Porém, quando isso ocorre, eles são distribuídos pela startup a ONGs parceiras.

Público-alvo

As classes B e C se beneficiam das foodtechs. Portanto, conseguem comprar alimentos sustentáveis a preços baixos e, consequentemente, consomem alimentos mais saudáveis. Os descontos podem chegar a até 70%.

“Tivemos um distribuidor com uma picanha argentina de R$ 85 o kg empacada. Colocamos por R$ 16, preço da salsicha, que é campeã de vendas nas classes C e D e acaba sendo usada como mistura no dia a dia. Os clientes enviaram vídeos recebendo a carne, fazendo churrasco. Salvamos 200 kg de alimento e tivemos um impacto positivo na vida de pessoas que não conseguiriam introduzir a carne ao cardápio.”

Outras sturtups

Outras foodtechs vão além da cadeia produtiva. São o caso da Liv Up e duLocal, que conectam agricultores a consumidores finais. As empresas também preparam os pratos e lavam refeições saudáveis de porta em porta. A sazonalidade dos produtos também é importante neste caso.

Atualmente, a Liv Up entrega também refeições completas, sopas e sobremesas em 50 cidades do país, além de oferecer uma quitanda de orgânicos.

Os produtos orgânicos começaram a ser oferecidos durante a pandemia. Isso porque seus agricultores parceiros perderam muitos clientes com o fechamento de restaurantes. Hoje, são mais de 7.000 toneladas compradas de mais de 30 famílias.

Segundo o presidente-executivo da Liv Up, Victor Santos:

Cozinheiras de Paraisópolis

O diferencial da duLocal está no fato dela incluir cozinheiras de Paraisópolis, na periferira de São Paulo, para preparar as refeições que serão consumidas na hora, com ingredientes comprados de produtores familiares.

Elas recebem os produtos e preparam a refeição em casa. Para isso, recebem um treinamento gastronômico, capacitação e apoio psicológico. Roberta Rapuano, sócia da duLocal, completa:

“Mulheres venderem comida que fizeram nas próprias casas é a realidade do Brasil. Nós profissionalizamos essas mulheres que ganham a vida dessa forma.”

Hoje possuem uma rede de 13 cozinheiras, 30 entregadores e quase 50 fornecedores entre agricultores orgânicos e cooperativas.

Por conta da pandemia, as entregas são realizadas apenas no centro expandido de São Paulo. Mas, no futuro, pretendem aumentar o alcance.

Tecnologia

Por fim, há os alimentos que se beneficiam da tecnologia para chegarem às mesas. Este é o caso da N.Ovo, que desenvolve produtos alimentícios à base de plantas.

Sobre isso, a fundadora Amanda Pinto, nomeada este mês “inventora do ano” pela MIT Technology Review, publicação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, afirma:

“Conhecendo startups que fazem isso no Vale do Silício, vi quantos problemas globais elas ajudam a endereçar ao criar esse tipo de alimento, como combater aquecimento global, fomentar um uso sustentável da terra, combater pandemias e, principalmente, a fome.”

Limitações

Por fim, as foodtechs revelam que há limitações no sentido de atingirem ainda um público restrito. Isso se deve ao preço de seus produtos ou área de alcance. Com exceção da SuperOpa, os clientes das demais startups se concentram nas classes mais altas.  

*Foto: Divulgação/Ed Machado/Folha de Pernambuco