O bloco pernambucano Galo da Madrugada abriu o circuito de Carnaval do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, na manhã desta terça-feira (17). Conhecido por arrastar multidões no Recife, o grupo levou ao parque apresentações de frevo e maracatu, reunindo foliões de diferentes regiões da cidade e muitos nordestinos que hoje vivem na capital paulista.
À frente do cortejo, o grupo Frevo no Planeta Galo iniciou a apresentação com músicas que atravessam gerações. Entre elas, “Voltei Recife”, de Luiz Bandeira, e “Tropicana”, de Alceu Valença. As canções foram executadas por uma banda formada por metais e percussão, característica marcante do frevo, que conduziu o público ao longo do percurso.
Na sequência, o Bloco de Pedra assumiu o ritmo com cantos tradicionais do maracatu, acompanhados por dezenas de ritmistas. A batida forte dos tambores ecoou pelo Ibirapuera, transformando o espaço em um ponto de encontro da cultura pernambucana durante o Carnaval 2026 em São Paulo.
Cultura pernambucana no coração de São Paulo
Considerado patrimônio cultural do Recife e de Pernambuco, o Galo da Madrugada realiza apresentações na capital paulista desde 2020. A iniciativa busca aproximar a comunidade nordestina de suas tradições, especialmente durante o período carnavalesco.
Entre os grupos que acompanharam o desfile estava o Leões de Sampa, formado por torcedores do Sport. Eles se juntaram a outros coletivos de nordestinos que ocuparam o parque ao longo da manhã.
Natural do Recife e morando em São Paulo há seis anos, a cientista de dados Ana Gabriela Silva de Lima acompanhou o cortejo ao lado de amigos. Para ela, o evento tem um significado que vai além da festa. “Estar com meus amigos, com o mesmo sotaque e a mesma música, é como se estivesse em um pedacinho de Pernambuco em São Paulo”, diz.
A sensação de reencontro com as próprias raízes se repete entre outros foliões que não conseguem viajar para o Nordeste durante o Carnaval. A proposta do bloco, segundo os organizadores, é justamente oferecer essa experiência na capital.
A dançarina Jéssica Miranda, 37 anos, foi uma das responsáveis por trazer o Galo da Madrugada para São Paulo. Ela explica que a ideia surgiu da percepção de que muitos nordestinos vivem na cidade e nem sempre conseguem voltar para casa nesta época do ano. “Resolvemos trazer a nossa cultura porque muitos nordestinos vêm pra São Paulo e não conseguem voltar pra casa. É um momento de lembrar da nossa história, dos nossos antepassados e das nossas famílias”, conta.
Depois de semanas de ensaios e preparação, o desfile é vivido com intensidade pelos integrantes do bloco. “Eu fico muito emocionada e muita gente chora de estar perto do Recife”, complementa Jéssica.
Frevo, maracatu e novos públicos
O cortejo também atraiu paulistanos que passaram a se identificar com as tradições pernambucanas. A bailarina Mariana Riccetti participa do Galo da Madrugada há quatro anos. Formada em dança clássica, ela hoje se dedica às danças populares brasileiras, como frevo e maracatu, na Companhia Brasílica.
Mariana diz que a aproximação com essas expressões mudou sua trajetória artística. “É algo que está no nosso corpo. Tem gente que fala que é dura, mas se você é brasileiro, você rebola”, afirma, ao comentar a transição da tradição europeia para as manifestações populares nacionais.
Em alguns momentos do percurso, o grupo de frevo interrompeu a caminhada para convidar o público a ocupar o centro do cortejo. Crianças e adultos se revezaram nos passos rápidos e nos giros característicos do ritmo.
Foi o caso de Lisa Nakamoto, de 9 anos, que se apresentou diante dos foliões. A menina nasceu em São Paulo, mas mantém vínculos frequentes com Pernambuco. “Ela nasceu aqui, mas passa as férias na casa de voínha e ela que ensinou a dançar”, conta a mãe, Leila Fernandes, natural do Recife.
Para Leila, esta foi a primeira vez que mãe e filha passaram o Carnaval na capital paulista. A experiência, segundo ela, superou as expectativas. “Bom demais, carnaval arretado”, resume.
Com frevo, maracatu e forte presença da comunidade nordestina, o Galo da Madrugada transformou o Ibirapuera em palco de uma celebração que conecta histórias pessoais e tradição cultural. Em meio ao calendário oficial do Carnaval de São Paulo, o bloco reafirma sua proposta de manter vivas as raízes pernambucanas fora do estado de origem.
Fonte: G1
Foto: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-grupo-de-guarda-chuvas-coloridos-sentados-um-ao-lado-do-outro-vxGt8-0870s
