A taxa de juros do crédito rotativo do cartão de crédito ficou em 428,3% ao ano em março, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Apesar da redução, a modalidade segue entre as mais caras do sistema financeiro. Ainda assim, o volume de crédito concedido nesse tipo de operação aumentou no primeiro trimestre de 2026.
Entre janeiro e março, as concessões somaram R$ 109,7 bilhões. No mesmo período do ano passado, o total havia sido de R$ 99,9 bilhões. O avanço indica crescimento de 9,7% no uso do rotativo, linha que costuma ser acionada quando o consumidor não paga o valor integral da fatura do cartão.
As informações fazem parte do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, publicado na segunda-feira (27). O documento reúne indicadores sobre o comportamento do crédito no país, incluindo taxas, volumes e evolução do saldo das operações.
Volume mensal aumenta e indica maior uso
No recorte de março, o volume de crédito rotativo concedido chegou a aproximadamente R$ 37 bilhões. Em fevereiro, o total havia sido de R$ 34,6 bilhões. A elevação reforça a tendência de crescimento no uso dessa modalidade ao longo do trimestre.
Mesmo com juros elevados, o rotativo ainda aparece como alternativa para consumidores que precisam de liquidez imediata. O problema é o custo acumulado, que pode se tornar significativo em pouco tempo.
Esse tipo de crédito é considerado emergencial e, em geral, deveria ser utilizado por curtos períodos. Na prática, porém, ele acaba sendo incorporado ao orçamento de parte das famílias, especialmente em momentos de aperto financeiro.
Crédito total avança e atinge R$ 7,2 trilhões
O relatório também mostra que o saldo das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 0,9% em março, chegando a R$ 7,2 trilhões. O aumento foi observado tanto nas operações com empresas quanto com pessoas físicas.
O estoque de crédito para empresas alcançou R$ 2,7 trilhões, com alta de 1,1% no mês. Já o crédito destinado às famílias somou R$ 4,5 trilhões, com crescimento de 0,8%.
Na comparação em 12 meses, o crédito total registrou expansão de 9,7%, praticamente estável em relação ao resultado observado até fevereiro, quando a alta havia sido de 9,6%.
Juros médios sobem e spread recua no mês
A taxa média de juros das concessões de crédito chegou a 33,1% ao ano em março. O indicador considera diferentes modalidades e reflete o custo médio das novas operações contratadas.
O spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, caiu 0,3 ponto percentual no mês. Na comparação com março do ano anterior, no entanto, houve aumento de 2,4 pontos percentuais.
Esse comportamento mostra uma leve melhora no curto prazo, mas ainda indica um ambiente de crédito com margens elevadas no acumulado anual.
Modalidade segue cara e concentrada no curto prazo
Mesmo com a queda registrada em março, o crédito rotativo permanece como uma das opções mais onerosas disponíveis para o consumidor. A taxa anual acima de 400% evidencia o peso desse tipo de financiamento no orçamento.
O aumento no volume de concessões ao longo do trimestre mostra que a demanda segue firme, ainda que o custo seja elevado. Em muitos casos, o rotativo funciona como solução imediata para despesas inesperadas ou dificuldades no fechamento do mês.
Os dados do Banco Central indicam um cenário em que há redução pontual nas taxas, mas sem mudança estrutural no perfil da modalidade. O uso continua relevante, enquanto o custo segue alto, o que mantém o tema no radar de autoridades e consumidores.
A evolução desses indicadores nos próximos meses deve depender de fatores como renda, inflação e condições gerais de crédito. Enquanto isso, o rotativo permanece como um recurso amplamente utilizado, embora com impacto significativo no custo financeiro das famílias.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/contabilista-calculando-o-lucro-com-graficos-de-analise-financeira_7548546.htm



