O vice-prefeito Victor Marques (PCdoB) assumiu nesta segunda-feira, 6, o comando da Prefeitura do Recife após a renúncia de João Campos (PSB), que deixou o cargo para disputar o governo de Pernambuco. A cerimônia de posse foi realizada na Câmara Municipal, localizada no bairro da Boa Vista, área central da capital pernambucana.
A transmissão de cargo ocorreu durante uma sessão solene que reuniu vereadores, integrantes da gestão municipal, lideranças políticas e representantes da sociedade civil. A condução dos trabalhos ficou a cargo do presidente da Câmara, o vereador Romerinho Jatobá (PSB).
Também participaram da cerimônia o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (MDB), e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, que também preside nacionalmente o PCdoB.
A saída de João Campos marca um movimento político relevante no cenário estadual e recoloca em evidência uma situação que não ocorria há mais de três décadas. A última renúncia de um prefeito do Recife aconteceu em 1990, quando Joaquim Francisco deixou o cargo para concorrer ao governo de Pernambuco. Na ocasião, o vice Gilberto Marques Paulo assumiu a administração municipal.
Trajetória construída nos bastidores da política
Aos 31 anos, Victor Marques chega ao cargo com uma carreira marcada pela atuação técnica e política. Engenheiro civil formado pela Universidade de Pernambuco, ele construiu sua trajetória inicialmente longe dos holofotes, em funções estratégicas dentro da administração pública.
Seu primeiro passo na política foi como assessor de João Campos durante a passagem dele pelo governo estadual, quando atuou como chefe de gabinete do então governador Paulo Câmara. Posteriormente, acompanhou Campos também em Brasília, no período em que ele exerceu mandato como deputado federal.
Com a eleição de João Campos para a Prefeitura do Recife, Victor Marques assumiu a chefia de gabinete. Em 2024, foi eleito vice-prefeito e, no ano seguinte, passou a comandar a Secretaria de Infraestrutura do município. Deixou essa função para assumir o cargo de prefeito.
Além da atuação política, Marques mantém vínculos familiares com a vida pública. É irmão de Vinícius Marques (PSB), prefeito de São José do Belmonte, no Sertão pernambucano, e filho de Zezinho de Sata, ex-vereador do mesmo município. É casado com a médica Eduarda Neiva desde novembro de 2025.
Discurso reforça continuidade e presença nas ruas
Ao assumir o cargo, Victor Marques destacou que pretende manter o ritmo de trabalho da gestão anterior. Em declaração à imprensa, classificou o momento como o mais importante de sua trajetória e ressaltou a ligação com a equipe liderada por João Campos.
“Queria deixar registrado o compromisso de que o trabalho não vai diminuir um minuto, o nosso ritmo seguirá o mesmo. Vocês vão me ver, prefeito, engenheiro, nas ruas, como viram nos últimos cinco anos e três meses. Nosso compromisso é com as pessoas do Recife, é de seguir avançando. A gente sabe celebrar as nossas conquistas, mas ao mesmo tempo sabe encarar de frente os desafios”, afirmou.
No plenário da Câmara, o novo prefeito prestou juramento e assinou o termo de posse. Em seguida, fez um discurso no qual relembrou sua trajetória pessoal e profissional, com passagens tanto pela capital quanto pelo interior do estado.
“Aqui eu uni duas paixões, a engenharia e a vida pública, trabalhando todos os dias para fazer delas ferramentas de transformação e de melhoria do mundo ao meu redor. Há cinco anos e pouco mais de três meses, venho dedicando todos os dias da minha vida ao trabalho imenso e apaixonante de ajudar a fazer do Recife mudar mais justo, digno, desenvolvido e melhor se viver”, declarou.
Novo ciclo administrativo na capital pernambucana
A posse de Victor Marques abre um novo ciclo na administração municipal, ainda que sob a promessa de continuidade. A expectativa é de que projetos estruturais iniciados na gestão anterior tenham seguimento, especialmente nas áreas de infraestrutura urbana e serviços públicos.
Com experiência acumulada em cargos técnicos e de articulação política, o novo prefeito assume em um momento estratégico, marcado pela transição de liderança e pelo início do calendário eleitoral estadual. A condução da prefeitura nos próximos meses deve influenciar diretamente o cenário político em Pernambuco.
A mudança também reforça o papel dos vices na estrutura administrativa das grandes capitais, especialmente em contextos de renúncia para disputas eleitorais. No caso do Recife, a transição ocorre sem ruptura formal, mas sob observação quanto à capacidade de manter entregas e responder a demandas crescentes da população.
Fonte: G1
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