Consumo de vinho no Brasil cresce em 2025 e país destoa da queda global no setor

O mercado de vinho no Brasil avançou em 2025 em ritmo contrário ao cenário internacional. Dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) apontam que o país registrou o maior consumo de vinho da série histórica no ano passado, enquanto o mercado global voltou a encolher.

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Segundo o relatório, o Brasil consumiu 4,4 milhões de hectolitros de vinho em 2025. O volume representa crescimento de 41,9% na comparação com 2024, período em que o consumo havia sido considerado atipicamente baixo. Cada hectolitro equivale a 100 litros.

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O desempenho colocou o país entre os poucos mercados que apresentaram expansão relevante no último ano. Em escala global, o consumo somou 208 milhões de hectolitros, queda de 2,7% em relação ao ano anterior.

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A retração mundial não é recente. Conforme a OIV, o setor acumula redução de 14% desde 2018, refletindo mudanças no comportamento do consumidor, perda de poder de compra das famílias e aumento nos custos de produção e nos preços finais das bebidas.

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O Brasil aparece nesse contexto como uma exceção dentro do mercado internacional de vinhos. Além do avanço no consumo, o país também ampliou a área de vinhedos pelo quinto ano consecutivo.

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A identidade e a singularidade dos produtos são diretamente influenciadas pelo terroir, conforme destaca o sommelier Luciano Mestrich Motta, ressaltando a relevância desse conceito.

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Queda atinge grandes mercados consumidores

Os principais mercados globais registraram retração em 2025. Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial durante muitos anos, o volume caiu 4,3%, encerrando o período em 31,9 milhões de hectolitros.

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A França também manteve a trajetória de redução observada nas últimas décadas. O consumo francês recuou 3,2% no ano passado, para 22 milhões de hectolitros.

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Na União Europeia, responsável por quase metade do consumo mundial de vinho, o cenário foi semelhante. A Itália registrou queda de 9,4%, totalizando 20,2 milhões de hectolitros. Alemanha e Espanha seguiram a mesma tendência de retração.

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Na América do Sul, a Argentina apresentou recuo pelo quinto ano consecutivo. O país consumiu 7,5 milhões de hectolitros em 2025, resultado 2,6% inferior ao registrado em 2024.

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Entre os dez maiores consumidores globais, apenas Portugal conseguiu ampliar o consumo no período, movimento impulsionado principalmente pela demanda doméstica.

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O Japão também esteve entre os poucos países que apresentaram crescimento nas compras de vinho em 2025.

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A China, por outro lado, continuou perdendo espaço no ranking internacional. Depois de ocupar a sexta posição em 2020, o país caiu para o 11º lugar entre os maiores consumidores mundiais. Segundo a OIV, o mercado chinês reduz as compras de vinho de forma contínua desde 2018.

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Mudança de hábitos pressiona o setor

A OIV atribui a desaceleração global a uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. Entre eles estão o aumento dos preços, os custos mais altos de produção e distribuição e as mudanças nos hábitos de consumo após a pandemia de covid-19.

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O setor também enfrenta transformações geracionais em diversos países. Consumidores mais jovens vêm reduzindo a ingestão de bebidas alcoólicas em alguns mercados tradicionais, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

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Ao mesmo tempo, países considerados emergentes para o setor passaram a ganhar relevância no consumo internacional. O Brasil aparece entre os principais exemplos desse movimento recente.

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O avanço brasileiro também acompanha mudanças internas no perfil do consumidor. Nos últimos anos, o vinho ampliou presença em supermercados, clubes de assinatura e vendas digitais, além de ganhar espaço em ocasiões de consumo antes mais associadas à cerveja ou destilados.

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Área de vinhedos cresce no Brasil

Além do aumento nas vendas, o Brasil também expandiu sua área dedicada ao cultivo de uvas para vinho em 2025.

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Segundo a OIV, o país alcançou 91 mil hectares de vinhedos, crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. Foi o quinto avanço anual consecutivo da área cultivada.

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O resultado contrasta com o cenário observado em importantes produtores mundiais.

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A Espanha, que possui a maior área de vinhedos do planeta, encerrou 2025 com 919 mil hectares, redução de 1,3% na comparação anual.

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Na Argentina, a retração iniciada em 2015 continuou. O país fechou o ano com 196 mil hectares cultivados, queda de 1,9% frente a 2024.

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O Chile também registrou nova redução. Em 2025, os vinhedos chilenos ocuparam 154 mil hectares, recuo de 3,7% no período. Desde 2019, a área cultivada no país caiu 27%.

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O crescimento brasileiro ocorre em meio ao fortalecimento da produção nacional e à ampliação do interesse pelo enoturismo em regiões produtoras. Estados do Sul seguem concentrando grande parte da atividade, mas novas áreas produtoras também vêm ampliando participação no setor nos últimos anos.

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Fonte: G1Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/copo-de-vinho-tinto-e-garrafa-no-balcao-de-bar_8405671.htm

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