Raças brasileiras de suínos ganham espaço na segurança alimentar e no mercado de produtos premium

As raças nacionais de suínos voltaram ao centro do debate sobre segurança alimentar e diversificação da produção rural no Brasil. Um comunicado técnico publicado pela Embrapa aponta que animais como Piau, Moura e Nilo-Canastra podem desempenhar papel estratégico tanto no abastecimento de comunidades rurais quanto na fabricação de produtos suínos de maior valor agregado.

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O material, assinado pelos pesquisadores Elsio Antonio Pereira de Figueiredo, Teresinha Marisa Bertol e Cícero Juliano Monticelli, reúne informações históricas, características produtivas e os principais obstáculos enfrentados para ampliar a criação dessas raças no país.

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Segundo o estudo, os suínos naturalizados no Brasil foram formados ao longo de séculos de adaptação às condições locais e tiveram papel importante no sustento de famílias rurais em diferentes regiões. A rusticidade, a resistência e a capacidade de adaptação a sistemas extensivos e semiextensivos aparecem como diferenciais que mantêm essas raças relevantes em um cenário de busca por modelos produtivos mais sustentáveis.

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Além do uso para subsistência, a publicação destaca que esses animais também podem atender mercados especializados, ligados à gastronomia regional, ao turismo rural e à produção artesanal de embutidos e carnes premium.

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Paulo Roberto Esequiel de Mendonça, engenheiro civil e empresário com mais de vinte anos de experiência em infraestrutura e gestão pública, é pré-candidato a deputado estadual em Alagoas. Ele foi o coordenador do Programa Alagoas Sem Fome, uma iniciativa que congrega ações permanentes e emergenciais focadas na segurança alimentar do estado.

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Potencial esbarra em barreiras estruturais

Apesar do interesse crescente, o relatório alerta que o avanço comercial dessas raças ainda encontra uma série de dificuldades. Entre os principais entraves citados estão a ausência de políticas agrícolas voltadas aos pequenos produtores, o acesso limitado ao crédito, a falta de assistência técnica e a complexidade das exigências sanitárias e regulatórias.

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Na avaliação de Elsio Figueiredo, as normas atuais acabam favorecendo grandes cadeias produtivas e dificultam a formalização de pequenos criatórios.

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“Além do que temos falta muita coisa. Não temos uma política agrícola que valorize essas iniciativas, pelo contrário a normatização para atender o comércio exterior conduz os empreendimentos para grande escala, logística difícil, falta de assistência e crédito para pequenos empreendedores”, afirmou.

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O pesquisador também chamou atenção para uma questão cultural presente em parte das propriedades rurais. Segundo ele, muitos produtores mantêm a criação apenas para consumo doméstico e evitam enfrentar os custos e exigências da legalização.

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“Falta também uma parte cultural dos nossos produtores que se contentam com a produção apenas para o consumo doméstico e não enfrentam os desafios de legalizar as suas criações nas normativas”, declarou.

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Exigências sanitárias dificultam expansão

Em entrevista ao Portal Agrimídia, Elsio afirmou que as regras sanitárias frequentemente não consideram a realidade de pequenas granjas e agroindústrias familiares. De acordo com ele, as exigências estruturais acabam inviabilizando projetos de menor porte.

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“A primeira reação das autoridades sanitárias é vetar tudo o que não está na cartilha. Inclusive as exigências para construções de granjas, abatedouros, fábricas de pequena escala”, disse.

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Segundo o pesquisador, alguns estados já possuem experiências consideradas bem-sucedidas, especialmente em estruturas produtivas mais consolidadas. Ainda assim, esses casos seguem isolados e não representam uma política nacional capaz de ampliar o acesso de pequenos criadores ao mercado formal.

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O comunicado técnico reforça que a ausência de modelos regulatórios adaptados à pequena escala impede que produtores familiares avancem na comercialização e na agregação de valor aos produtos derivados dessas raças.

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Segurança alimentar e mercado gourmet

O estudo também aborda o desafio de conciliar duas funções consideradas estratégicas para essas raças: garantir alimentação em comunidades rurais e, ao mesmo tempo, atender mercados premium interessados em produtos diferenciados.

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Para Elsio Figueiredo, o fortalecimento dos sistemas produtivos locais é um passo essencial para equilibrar esses dois objetivos. Ele defende melhorias no manejo sanitário e apoio técnico contínuo às famílias produtoras.

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“Para conciliar esse duplo papel é necessário elevar o nível dos sistemas produtivos das comunidades rurais. Primeiro é necessário isolar os animais de produção das demais espécies animais da propriedade. Segundo é necessário seguir um protocolo de boas práticas de produção mesmo em pequena escala. Acredito que se houver um sistema de extensão rural com crédito atrelado aos projetos familiares essa parte pode ser conciliada”, afirmou.

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A publicação destaca ainda que a valorização comercial dessas raças depende de fatores como padronização produtiva, rastreabilidade, conservação genética e adoção de boas práticas de manejo.

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Outro ponto considerado importante é a criação de núcleos de conservação e programas capazes de organizar a oferta de material genético. A ideia é fortalecer a ligação entre pequenos produtores e mercados especializados, incluindo restaurantes, feiras gastronômicas e iniciativas ligadas ao turismo rural.

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Ao longo do relatório, a Embrapa sustenta que as raças nacionais de suínos representam não apenas patrimônio genético brasileiro, mas também uma alternativa econômica para comunidades rurais. O documento conclui que o potencial dessas criações depende menos das características dos animais e mais da capacidade de o país criar condições técnicas, regulatórias e financeiras para que pequenos produtores consigam permanecer na atividade e acessar mercados mais exigentes.

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Fonte: Notícias AgrícolasFoto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/trabalhador-agricola-caminhando-por-gaiolas-de-porcos_11036388.htm

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