Amnésia imunológica e outrasinfecções podem acontecer após contrair vírus do sarampo, é o que afirma dois novos estudos
Dois novosestudos a cerca do sarampo foram publicados no fim de outubro e ambos indicamque a infecção decorrente desta enfermidade pode provocar uma espécie deamnésia imunológica, que pode continuar por meses ou até anos nas pessoasafetadas pelo vírus.
Imunizaçãocontra o sarampo
Portanto, émuito importante ser vacinado contra o sarampo. Pois deixar de ser imunizadopode abalar a proteção individual e também da coletiva, a chamada imunidade derebanho, resultando em outras doenças contagiosas, como herpes e gripe.
Já erasabido pela classe científica que o vírus do sarampo atacava células do sistemaimunológico, como células B e T, e macrófagos. Porém, os especialistas aindanão conseguiam entender exatamente o quão prejudicial poderia ser este ataque.
Publicações
Os estudosforam publicados nas revistas Science e Science Immunology. O conteúdo foiconduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Alemanhae Finlândia.
Em uma daspesquisas, foram utilizadas amostras de sangue coletadas em 2013 de crianças eadolescentes de colégios protestantes ortodoxos holandeses, que não haviam sidovacinados contra a doença. Logo após uma epidemia que assolou o país, entre maiodaquele ano e março de 2014, e infectou 2.700 pessoas, novas amostras foramcoletadas entre os 77 jovens que desenvolveram a enfermidade. A técnica,batizada de VirScan, foi capaz de analisar dezenas de tipos virais com os quaiso organismo daquelas pessoas tiveram contato. Em seguida, o repertórioimunológico dos atingidos pelo vírus caiu entre 11% e 73%, conforme o estudopublicado na Science.
No entanto,a segunda pesquisa evidenciou que a partir de um experimento com furões que játinham sido vacinados contra a gripe, mostrou que uma infecção pelo influenzaposterior a uma por sarampo acarreta em sintomas intensos. É como se estes animaisnunca tivessem sido imunizados. Este estudo foi divulgado revista ScienceImmunology.
Outros testes
Oscientistas responsáveis pelo trabalho publicado na Science também realizaramtestes em macacos-resos (Macaca mulatta). Com isso, foi verificado que cincomeses depois a infecção por sarampo, ainda havia devastado entre 40% e 60% damemória imunológica contra patógenos nos bichos.
Em suma,quem contrai a doença corre risco sério de não conseguir reagir imediatamente aoutros vírus e bactérias contra os quais já haviam sido imunizados. Além disso,fazer uma reconstrução desse arsenal imunológico demora e só ocorre depois denovos contatos com agentes infecciosos. Porém, um desses novos contatos podeser fatal ao indivíduo.
Em comunicado,Stephen Elledge, pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes e daUniversidade Harvard e um dos autores do estudo da Science, vai além e afirma:
“Nósencontramos uma forte evidência de que o vírus do sarampo na verdade destrói osistema imunológico”.
A vacina tríplice viral imuniza contra o sarampo, caxumba e rubéola e é produzida a partir de vírus vivos atenuados. Felizmente, a imunização não provoca dano à imunidade como acontece no caso do patógeno selvagem. Com isso, entre 2010 e 2017, estima-se que a utilização da vacina tenha prevenido mais de 21 milhões de óbitos.
Anualmente,em torno de 100 mil pessoas morrem no mundo todo, decorrentes do sarampo. O Brasilvem sofrendo com o surgimento de novos casos da enfermidade. Já sãoaproximadamente 7 mil casos e 13 mortes só neste último surto da doença, queocorreu em junho deste ano, conforme revela o último balanço. Tais registrosestão concentrados mais no estado de São Paulo.
Para o virologistada USP Edison Luiz Durigon:
“Esses dois estudos reforçam muito a importância da vacinação e das campanhas, que podem reduzir muito a mortalidade infantil não só decorrente do sarampo mas dos efeitos maléficos da imunossupressão.”
Já Elledgeconclui que:
“O vírus é muito mais deletério do que nós imaginávamos, o que significa que a vacina é nessa mesma medida muito mais valiosa”.
Fonte: Folha de S. Paulo
*Foto: Divulgação / PrefeituraEngenheiro Coelho
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