Vendas de imóveis avançam 5,3% mesmo com Selic em 14% ao ano

O mercado imobiliário brasileiro manteve ritmo de crescimento no segundo trimestre de 2026, apesar do cenário de juros elevados. As vendas de imóveis novos aumentaram 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e pela Brain Inteligência Estratégica.

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Entre abril e junho, foram comercializadas 113.676 unidades residenciais nas 221 cidades incluídas na pesquisa. Considerando os seis primeiros meses do ano, o número chegou a 226.536 imóveis vendidos, avanço de 5,4% na comparação anual.

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O desempenho ocorre com a taxa básica de juros em 14% ao ano. Os dados indicam que a demanda por moradia continua ativa, embora o comportamento do mercado varie conforme a faixa de renda. Enquanto o Minha Casa, Minha Vida ganhou participação, os segmentos de médio e alto padrão enfrentaram maior pressão causada pelo custo do crédito.

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Os reflexos dos juros elevados continuam a impactar o mercado imobiliário brasileiro. De acordo com o empresário Elon Gomes de Almeida, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, patamar estabelecido em junho de 2025, limita o consumo, encarece as linhas de financiamento e afeta de forma direta a compra e o aluguel de imóveis no país.

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Lançamentos têm pequena queda no período

As incorporadoras lançaram 107.161 unidades residenciais no segundo trimestre. O volume representa redução de 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, houve crescimento de 2,6%.

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Para os especialistas responsáveis pela análise, o resultado mostra que as empresas continuam colocando novos empreendimentos no mercado, mesmo diante das condições financeiras mais restritivas.

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Entre as regiões brasileiras, o Sul apresentou a retração mais expressiva. Foram 17.353 unidades lançadas, queda de 25,1% em um ano e de 11,7% diante do primeiro trimestre.

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De acordo com Celso Petrucci, conselheiro da Cbic e economista-chefe do Secovi-SP, a menor participação do Minha Casa, Minha Vida na oferta regional aumenta a exposição do mercado local ao crédito mais caro e à procura por imóveis de maior valor.

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A diferença entre o número de vendas e lançamentos também contribuiu para reduzir a quantidade de imóveis disponíveis. Ao final de junho, o estoque era de 355.290 unidades, 2,1% abaixo do registrado no trimestre anterior.

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O prazo estimado para a comercialização de todo esse estoque também diminuiu. Passou de 9,9 meses no primeiro trimestre para 9,5 meses no segundo.

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Habitação popular concentra crescimento

O Minha Casa, Minha Vida foi responsável por uma parcela significativa do desempenho do setor. Das 107.161 unidades lançadas no segundo trimestre, 62.129 estavam enquadradas no programa federal. O percentual de 58% representa a maior participação registrada pela pesquisa desde o início da série histórica, em 2019.

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"Se continuar essa taxa de juros a dois dígitos, acredito que vamos chegar a 64% do Minha Casa, Minha Vida", afirmou Petrucci durante a apresentação dos indicadores imobiliários.

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Nas vendas, o programa também apresentou volume superior aos imóveis de médio e alto padrão. Foram comercializadas 58.392 unidades enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, enquanto os demais segmentos somaram 55.284 unidades.

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As condições de financiamento do programa ajudam a explicar parte desse desempenho. Os subsídios e a utilização de recursos do FGTS reduzem o impacto direto da Selic sobre os compradores que se enquadram nas regras da política habitacional.

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O avanço das unidades de menor valor, porém, teve impacto sobre os indicadores financeiros do mercado. O Valor Geral de Lançamentos caiu 23,1% no segundo trimestre, passando de R$ 81,7 bilhões para R$ 62,4 bilhões.

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O Valor Geral de Vendas também recuou. O indicador terminou o período em R$ 66 bilhões, redução de 5,5% em comparação anual.

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Crédito imobiliário passa por transformação

O financiamento habitacional registrou crescimento no primeiro semestre. Os empréstimos do SBPE para aquisição e construção alcançaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% sobre o mesmo período do ano anterior.

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O crédito destinado à construção, contratado pelas empresas, mais que dobrou. O volume chegou a R$ 26,5 bilhões, aumento de 107%. Já os financiamentos para aquisição por pessoas físicas somaram R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12%.

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A expansão ocorre em meio à mudança na estrutura de financiamento imobiliário. O novo modelo de funding, que entra integralmente em vigor em 2027, pretende ampliar a participação de fontes como LCIs e recursos captados no mercado.

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A taxa básica elevada, contudo, aumenta o custo dessas alternativas. Bancos discutem com o Banco Central uma possível revisão do teto de 12% ao ano para operações enquadradas no Sistema Financeiro de Habitação.

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"Nós somos a melhor operação que um banco pode ter para pessoa física. Nós somos o menor índice de inadimplência que o banco tem. Nós somos a melhor carteira, com a menor inadimplência e a melhor garantia, que é a garantia imobiliária", diz Petrucci.

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Intenção de compra alcança recorde

A pesquisa também identificou uma demanda futura relevante. A intenção de compra de imóveis chegou a 52% dos entrevistados, maior percentual da série histórica e três pontos percentuais acima do registrado um ano antes.

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Entre os interessados, 31% pretendem realizar a compra em até 12 meses. Outros 37% indicaram um prazo entre um e dois anos.

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O apartamento aparece como o tipo de imóvel preferido, com 40% das respostas. As casas de rua vêm na sequência, com 38%, enquanto casas em condomínios fechados foram citadas por 17%.

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Sair do aluguel é a principal motivação para 37% dos interessados. Mudanças na composição familiar, como deixar a casa dos pais, casar ou se separar, correspondem a 27%. Outros 20% buscam mais espaço ou melhorias na residência.

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No Minha Casa, Minha Vida, a velocidade de comercialização é ainda maior. O estoque disponível do programa tem prazo estimado de venda de 7,6 meses.

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Fonte: Folha de São PauloFoto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/feche-acima-das-teclas-home-da-vista-na-mao-do-agente-que-da-ao-novo-proprietario_4264898.htm

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