Uma estudante de medicina de 22 anos foi morta a tiros na noite de domingo, 22, em um condomínio de alto padrão na zona sul do Recife. De acordo com a polícia, o autor dos disparos foi o companheiro da vítima, o empresário Silvio Souza Silva, de 48 anos, que em seguida tirou a própria vida. O caso foi registrado como feminicídio seguido de suicídio.
A vítima foi identificada como Isabel Cristina Oliveira dos Santos. Segundo informações do boletim de ocorrência, o casal mantinha um relacionamento há cerca de oito anos e tinha uma filha de três anos. O crime ocorreu por volta das 22h, no condomínio Le Parc Boa Viagem Residential Resort, localizado no bairro da Imbiribeira.
No local, a polícia apreendeu um revólver calibre 38, além de munições. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Equipe de Força-Tarefa de Homicídios na Capital.
Histórico de conflitos e medida protetiva
De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela imprensa, familiares de Isabel relataram que o relacionamento era marcado por desentendimentos frequentes. Eles também informaram que havia uma medida protetiva contra o empresário, embora ele continuasse frequentando o apartamento onde a vítima vivia.
No dia do crime, ainda segundo o registro policial, houve uma discussão entre o casal. Isabel teria contado à irmã que Silvio arremessou um objeto contra ela antes de deixar o imóvel. Em seguida, conforme o documento, ele retornou e permaneceu sozinho com a companheira.
Pouco tempo depois, a irmã da vítima e a namorada dela chegaram ao apartamento. Ao entrarem no imóvel, encontraram Isabel e Silvio já sem vida.
A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação e que outras informações poderão ser divulgadas conforme o andamento dos trabalhos.
Perfil das vítimas e repercussão
Silvio Souza Silva era empresário e ocupava o cargo de diretor-geral da empresa Aluvid Esquadrias de Alumínio, sediada no bairro de Passarinho, na zona norte do Recife. Ele também teve atuação artística como cantor de brega romântico, utilizando o nome Dom Silver.
Isabel cursava o quarto período de medicina na Universidade Católica de Pernambuco. Em nota, a instituição lamentou a morte da estudante e destacou suas qualidades pessoais e acadêmicas. A universidade a descreveu como uma jovem “talentosa e promissora”, “cheia de sonhos” e comprometida tanto com a formação profissional quanto com “o cuidado com o outro”.
Colegas de curso também divulgaram uma mensagem de pesar. No texto, afirmaram que Isabel era “muito mais do que uma estudante exemplar” e ressaltaram características como dedicação, lealdade e afeto. “Uma filha dedicada, uma amiga leal e, acima de tudo, uma mãe extraordinária”, diz o comunicado. Ainda segundo os colegas, sua presença marcava as pessoas ao redor pela combinação de força e doçura.
Posicionamento do condomínio e da empresa
A administração do condomínio onde o crime ocorreu afirmou que não havia, até a data do fato, conhecimento sobre medida protetiva ou qualquer decisão judicial que restringisse o acesso de envolvidos às dependências do residencial.
Em nota, o condomínio informou que o controle de entrada é feito por meio de cadastro prévio de moradores e pessoas autorizadas, seguindo procedimentos considerados rigorosos. Segundo a administração, não havia sido registrada, antes do ocorrido, qualquer solicitação para bloqueio de acesso ao imóvel.
O comunicado acrescenta que o residencial permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A empresa Aluvid também se manifestou publicamente. Em nota divulgada nas redes sociais, afirmou ter recebido a notícia com “profundo pesar” e expressou solidariedade aos familiares e a todos os impactados pela tragédia. A empresa destacou ainda que não irá comentar “circunstâncias, responsabilidades ou quaisquer aspectos relacionados ao episódio”, por considerar que se trata de uma situação ligada à esfera pessoal de Silvio.
Velório e despedida
O enterro de Isabel Cristina Oliveira dos Santos estava previsto para ocorrer na segunda-feira, 23, no Cemitério Parque das Flores. A morte da estudante provocou forte comoção entre familiares, amigos e membros da comunidade acadêmica.
O caso reacende o debate sobre violência doméstica e feminicídio no país, especialmente em situações em que há histórico de conflitos e medidas protetivas em vigor. As investigações seguem para esclarecer todos os detalhes da ocorrência.
Fonte: Folha de São Paulo
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