A Prefeitura do Recife apresentou, na manhã de segunda-feira (23), o plano Ação Inverno 2026, com previsão de R$ 381,8 milhões em investimentos voltados à redução dos impactos das chuvas na capital pernambucana. O pacote reúne intervenções de macrodrenagem, microdrenagem e contenção de encostas, com foco na bacia do Rio Tejipió, considerada hoje o principal ponto de atenção da cidade.
No mesmo evento, a gestão municipal inaugurou a nova sede do Centro de Operações do Recife, o COP, que passa a funcionar de forma permanente, durante 24 horas por dia. A proposta é ampliar a capacidade de resposta do município diante de ocorrências típicas do período chuvoso, como alagamentos, quedas de árvores e falhas em redes de serviços.
As ações de infraestrutura buscam enfrentar problemas recorrentes em corredores viários de grande circulação, a exemplo das avenidas Recife, Abdias de Carvalho e Mascarenhas de Morais, historicamente afetadas por acúmulo de água em períodos de chuva intensa.
O prefeito João Campos destacou que a estratégia foi desenhada a partir de critérios técnicos, com prioridade para a Zona Oeste. “O ponto mais crítico de drenagem do Recife hoje é a bacia do Rio Tejipió, que pega boa parte da Zona Oeste, e os maiores investimentos anunciados são justamente para essa área”, afirmou.
A complexidade do sistema hídrico local também foi ressaltada pelo vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Victor Marques. “O Tejipió é um rio que nasce e morre dentro do Recife, então não existe uma solução única; é o conjunto de ações que trará o impacto lá na frente”, explicou.
Já a secretária de Projetos Especiais, Marília Dantas, enfatizou a necessidade de planejamento de longo prazo. “Hoje, dimensionamos projetos pensando nas chuvas e marés do futuro”, afirma.
Intervenções previstas nas áreas mais críticas
Entre as principais obras anunciadas, está a construção de reservatórios de grande porte na Avenida Abdias de Carvalho, em áreas localizadas sob as alças da BR-232. A primeira etapa do projeto, orçada em R$ 60 milhões, prevê capacidade de armazenamento equivalente a cerca de 50 piscinas olímpicas.
Na Avenida Mascarenhas de Morais, a prefeitura planeja instalar reservatórios de retenção de águas pluviais, além de válvulas do tipo flap, que impedem o retorno da maré para as vias, fenômeno que agrava alagamentos em regiões próximas a cursos d’água.
Já na Avenida Recife, o plano inclui a construção de uma comporta com sistema de bombeamento, elevação de diques de contenção e a requalificação do canal situado atrás do Hospital da Criança. A expectativa é reduzir a frequência de inundações na região.
Outro ponto de intervenção é a saída do bairro do Ibura, onde será implantada uma laje estaqueada na Avenida Dom Hélder Câmara. A obra envolve a elevação do nível da via e a criação de um reservatório subterrâneo para retenção temporária da água da chuva, com impacto direto nas avenidas Dois Rios e Dom Hélder.
Além das ações em áreas planas, o plano contempla medidas voltadas aos morros e encostas. Estão previstas 68 obras de contenção executadas pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana, a Emlurb. A Defesa Civil também atuará com a aplicação de 30 mil metros quadrados de geomantas em 40 pontos considerados de risco, além de coordenar 1.200 intervenções dentro do Programa Parceria.
Centro de Operações amplia monitoramento
A segunda frente do plano é operacional. A nova sede do COP, localizada na Rua do Brum, no Bairro do Recife, foi projetada para integrar dados, sistemas de videomonitoramento e equipes de 13 órgãos e secretarias municipais em um único ambiente.
A centralização das informações busca agilizar decisões e melhorar a coordenação de respostas em situações emergenciais. O secretário de Ordem Pública e Segurança, Alexandre Rebêlo, avaliou que a estrutura representa um avanço na gestão de crises urbanas.
“A ideia é integrar tudo para que o COP aprenda com o passado e consiga antecipar as consequências de eventos futuros, como alagamentos e interdições de vias”, argumentou.
Com a nova configuração, o centro deixa de operar apenas em momentos críticos e passa a atuar continuamente na rotina da cidade. A mudança, segundo o prefeito, altera a forma de gestão urbana.
“A grande diferença agora é que o COP não funcionará apenas em momentos críticos de chuva, mas na rotina da cidade, com uma gestão transversal intensa”, concluiu João Campos.
Fonte: Jornal do Commercio (PE)
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