Telas em vez de muros, o grafite durante a pandemia

Quando os protocolos de medidas restritivas foram impostos no estado de Pernambuco, desde o mês de março, os artistas locais vêm encontrando outras formas de desenvolver, expressar e divulgar seus trabalhos. Como está sendo o grafite durante a pandemia nesta região do país? É o que vamos descobrir neste artigo.

Grafite durante a pandemia

A arte e a rua sempre se conectaram de um modo criativo, incluindo sua execução e exposição para os grafiteiros. O grafite, que nasceu da cultura hip hop de Nova York, na década de 1970, encontra nos espaços urbanos sua essência e modo de existência.

Além disso, a arte também serve como projetos sociais, que podem ajudar pessoas que trabalham nas ruas, como os catadores de material reciclável. É o caso do projeto Pimp My Carroça, que esteve novamente em Recife, em outubro de 2019, em um evento para integrar as famílias dos catadores com a arte do grafite.

Porém, com o avanço da disseminação no novo coronavírus, a cena urbana passou a ocupar um campo imagético para a arte. Desde o mês de março, com medidas mais restritivas no estado de Pernambuco, os artistas locais vêm encontrando outras formas de desenvolver, expressar e divulgar seus trabalhos.

Representantes do grafite local

Um dos representantes do grafite da capital pernambucana, Galo de Souza, teve sua rotina alterada em função da pandemia de Covid-19. Trabalhos foram encerrados e um cotidiano diferente pela quarentena, o que lhe permitiu explorar outras formas artísticas. Em entrevista à Folha de Pernambuco, ele contou:

“Assim que surgiu a pandemia, cancelei tudo. Eu já vinha reformando a casa que eu vivo e o ateliê, que eu ia receber o público. Estou de quarentena, tenho três filhos, sendo uma filha de um ano.”

Segundo ele, o tempo extra tem possibilitado que coloque a leitura em dia, além de conversar com a família e se aprofundar em questões mais atuais, como os últimos movimentos que têm surgido no Brasil, como antifascismo e antirracismo.

“Eu estou produzindo em casa, vendendo telas e sem receber visitas. O processo criativo, pelo menos, não vem sendo afetado, o que afeta mais está sendo a perda de direitos (em relação ao governo federal). O contato tem sido feito pela internet e a gente vai conversando, criando redes e protegendo a família.”

Atualmente, o grafiteiro está em processo de escrita de um livro.

O mesmo tem ocorrido com outro artista local, o grafiteiro Jota Zeroff, que trocou os muros das ruas pelas telas. Para reduzir as perdas, ele tem produzido as pinturas em casa:

“Eu tenho experimentado a aquarela, a tinta acrílica. Mudei um pouco a linguagem do meu trabalho, mudei a aparência de alguns trabalhos e venho aprendendo técnicas novas para acrescentar ao meu currículo. Durante esse tempo, lembrei de coisas que vi no Carnaval e produzi uma série de caboclos de lança e tenho tido um retorno positivo.”

Suas artes podem ser vistas e adquiridas por meio de sua conta no Instagram.

Mercado de trabalho na pandemia

Já para a artista alagoana Yara Pão, a transição para outros de modos de trabalho tem ocorrido de forma gradual. Ela tem recebido propostas para telas, porém, com menos frequência de antes do período de isolamento social, pontua:

“O que tem acontecido é que eu estou recebendo algumas propostas de pintura, mas elas estão demorando para serem confirmadas.Têm ficado mais no campo das ideias. Eu estava com alguns trabalhos em andamento (em murais), mas eles não foram cancelados. Alguns clientes preferiram que a gente continuasse depois da pandemia.”

Fonte: Folha de Pernambuco

*Foto: Divulgação/Anderson Stevens/Arquivo Folha