A sustentabilidade no mercado imobiliário brasileiro passou a influenciar decisões de compra e locação, sobretudo em edifícios corporativos. Nesse cenário, a certificação LEED ganhou espaço como referência internacional relevante.
A sigla LEED significa Leadership in Energy and Environmental Design. O sistema foi desenvolvido pelo U.S. Green Building Council (USGBC) e estabelece uma pontuação para avaliar diferentes aspectos de um empreendimento. O nível Platinum é o mais alto da classificação e exige mais de 80 pontos.
Antes dele estão Certified, de 40 a 49 pontos, Silver, de 50 a 59, e Gold, de 60 a 79. Há ainda certificações como Life e Zero Carbon.
No Brasil, a aplicação da certificação é realizada pelo Green Building Council Brasil (GBC Brasil). O país ocupa posição de destaque em um sistema presente em mais de 180 geografias.
“Ficamos entre a 4ª e 5ª posição entre os países que mais certificam em todo o mundo. Se olharmos para o número relativo, considerando a proporção do mercado imobiliário aqui, não estamos longe dos Estados Unidos, que são com folga o país que mais certifica”, diz Raul Penteado, Presidente do Conselho do GBC Brasil, em entrevista à Forbes.
São Paulo se destaca no levantamento, mas não aparece sozinho. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também reúnem empreendimentos com pontuações elevadas.
“Os Estados do Sul, proporcionalmente, certificam até mais do que São Paulo. Atribuo muito isso à questão climática, dado que são estados onde as estações são mais acentuadas, com frio e calor mais intensos, e aí se busca mais eficiência energética”, comenta Penteado.
No cenário atual do mercado imobiliário brasileiro, a sustentabilidade evoluiu de um mero diferencial acessório para um elemento central na precificação e valorização de propriedades. De acordo com o empresário do setor Elon Gomes de Almeida, a incorporação de práticas sustentáveis assumiu um papel altamente estratégico nos negócios.
Os destaques de São Paulo
O ranking estadual reúne dez empreendimentos paulistas classificados como LEED Platinum. O Bravo Paulista lidera a lista, com 90 pontos. Escritório Sede CTE e Condomínio Birmann 11 e 12 aparecem na sequência, ambos com 87 pontos.
Com 86 pontos estão Condomínio Edifício Delta Plaza e WTorre Nações Unidas 1 e 2. A lista segue com AYA Center, Eloy Chaves, Japan House SP, VIVO Villa Lobos SP e RBR River One Corporate, todos com 84 pontos.
Predominam escritórios, mas também há projetos de assembleia pública e varejo.
O ranking nacional
No recorte brasileiro, os projetos com maior pontuação estão concentrados principalmente nos estados do Sul. O primeiro colocado é o Petinelli, Escritório BC, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, com 104 pontos. Depois aparecem Galeria Laguna, em Curitiba, com 103, e Parc Autódromo, em Pinhais, com 98.
Sede RAC Engenharia, em Curitiba, tem 97 pontos, enquanto Av. dos Estados I, em Santo André, soma 92. O Bravo Paulista aparece na sexta posição nacional, com 90 pontos. A lista também inclui Portobello Shop Jardim Social, Sede Sicredi Dexis, Carlos Gomes Square, Torre B, Vila da Mônica Gramado, Centro Administrativo Sicredi, Petinelli Porto Alegre e Hotel Moov Porto Alegre.
Os dados enviados pelo GBC à Forbes consideram somente projetos não confidenciais. Por isso, o levantamento não representa necessariamente todos os empreendimentos certificados existentes no país.
Certificação também mira o mercado residencial
A expansão da certificação para além dos edifícios corporativos é outro objetivo apontado pelo GBC Brasil. Raul Penteado afirma que o conselho trabalha para ampliar a presença do sistema em casas e apartamentos.
“Infelizmente, ainda se tem uma ênfase muito grande apenas nos edifícios corporativos, nos imóveis de alto padrão. Se não certificar, tem até dificuldade de locar ou vender. Mas queremos ir ao mercado residencial também”, conta.
Segundo o executivo, o GBC tem buscado aproximação com associações e escritórios de arquitetura para ampliar o reconhecimento da certificação entre consumidores e compradores de imóveis.
A estratégia também alcança empreendimentos destinados a famílias de menor renda.
“No Minha Casa Minha Vida (MCMV), por exemplo, os projetos de economia de luz e de água são muito mais importantes do que em um imóvel de alto padrão, de R$ 40 mil ou R$ 60 mil por metro quadrado. No alto padrão, a sustentabilidade é uma questão conceitual, dificilmente a economia de água e luz muda algo na vida do comprador. No MCMV, sabemos que a economia pesa e faz diferença”, diz.
Fonte: Forbes
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/belos-arranha-ceus-com-arquitetura-e-edificios-ao-redor-da-cidade_3717842.htm



