No Mês da Mulher, o governo federal anunciou um projeto-piloto voltado ao atendimento em saúde mental de mulheres expostas à violência ou em situação de vulnerabilidade psicossocial. A iniciativa será realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e terá início nas capitais Recife e Rio de Janeiro.
O programa prevê teleatendimento especializado, com suporte psicológico remoto para mulheres que enfrentam episódios de violência doméstica ou outras formas de agressão. Segundo o planejamento inicial, a fase piloto será realizada nessas duas cidades antes de uma expansão para outras regiões do país.
De acordo com fontes do Ministério da Saúde ouvidas pela coluna R7 Planalto, Recife e Rio funcionarão como cidades de teste para avaliar o funcionamento do serviço. A expectativa do governo é que a iniciativa comece a operar ainda neste mês, entre os dias 28 e 30 de março.
Caso os resultados sejam considerados positivos, o modelo deverá ser ampliado já em maio, com a inclusão de novos municípios e regiões na rede de atendimento.
Escolha das capitais considerou indicadores de violência
A seleção de Recife e Rio de Janeiro levou em conta indicadores recentes sobre violência contra mulheres. Os dados mostram que ambas as cidades estão inseridas em estados com números relevantes de casos de assassinatos e agressões contra mulheres.
Levantamento da Rede de Observatórios da Segurança aponta que Pernambuco está entre as unidades da Federação com maior incidência de assassinatos de mulheres. Em 2025, 192 mulheres residentes no estado foram vítimas de feminicídio, homicídio ou transfeminicídio.
Esse total corresponde a 51,3% dos casos de mortes violentas registrados em Pernambuco no período analisado. Os números reforçam o cenário de vulnerabilidade enfrentado por parte da população feminina no estado.
No Rio de Janeiro, indicadores recentes também mostram um volume significativo de registros de violência. O Mapa da Mulher Carioca, divulgado neste mês pela prefeitura, aponta que mais de 9 mil atendimentos relacionados a agressões contra mulheres foram realizados ao longo de 2025.
Esses atendimentos incluem diferentes tipos de violência, desde agressões físicas até episódios de violência psicológica e doméstica. Os dados ajudam a dimensionar a demanda por serviços de apoio e acolhimento voltados ao público feminino.
Brasil registra recorde de feminicídios
Os números nacionais também contribuíram para a criação de iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou, em 2025, o maior número de feminicídios já contabilizado.
Ao todo, foram 1.568 casos registrados no período. O dado representa um novo recorde e evidencia a persistência do problema em diferentes regiões do país.
No ranking por estados em números absolutos, São Paulo liderou a lista com 270 casos de feminicídio registrados ao longo do ano. Minas Gerais aparece na sequência, com 177 ocorrências.
O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição nesse levantamento, com 104 registros. Pernambuco aparece em quarto lugar, com 88 casos contabilizados.
Os números reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas tanto à prevenção da violência quanto ao atendimento das vítimas. A assistência psicológica tem sido apontada como uma das ferramentas importantes para apoiar mulheres que enfrentam esse tipo de situação.
Teleatendimento busca ampliar acesso a apoio psicológico
O projeto anunciado pelo governo federal pretende ampliar o acesso a esse tipo de suporte por meio da telemedicina. A proposta é oferecer atendimento remoto em saúde mental dentro da estrutura do SUS, facilitando o contato das mulheres com profissionais especializados.
A estratégia busca alcançar mulheres que, por diferentes motivos, encontram dificuldade para acessar serviços presenciais de apoio. Entre os obstáculos mais comuns estão medo de exposição, distância de unidades de saúde ou limitações de mobilidade.
Com o teleatendimento, o governo pretende criar um canal mais acessível de escuta e acolhimento psicológico. A fase piloto permitirá avaliar o funcionamento do sistema, o volume de atendimentos e a capacidade de resposta da rede pública de saúde.
A expectativa é que a experiência nas duas capitais sirva de base para ajustes operacionais antes da expansão nacional do programa. Caso o cronograma seja mantido, novas cidades devem passar a integrar a iniciativa a partir de maio.
O lançamento do projeto ocorre em um momento em que os dados de violência contra mulheres seguem em alta no país, cenário que tem pressionado autoridades a ampliar políticas públicas de prevenção e assistência.
Fonte: R7
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